domingo, 29 de setembro de 2013

As Eleições Autárquicas e o significado da esmagadora victória do independente Rui Moreira na cidade do Porto

Dr. Rui Moreira

As Eleições Autárquicas e o significado da esmagadora

victória do independente Rui Moreira na cidade do Porto


Em muitos momentos do seu discurso da noite eleitoral, senti que o Dr. Moreira, usava as palavras que há muito afloram as minhas reflexões sobre o que se passa no nosso país. Ele foi esta noite, realmente, o grande protagonista e demonstrou que o “não-sistema” pode funcionar, aquele a que cada vez mais portugueses parecem vir a aderir porque entendem que esse é o caminho para estragar a vida a quem nos vem estragando há tantos anos a nossa. O “sistema”, tal como foi montado e existe, cansou já o nosso povo pelo permanente ludibrio em que o mantém, pelo logro em que insiste, sempre manipulado em sujos jogos de bastidores partidários. E os partidos que o representam têm de o entender de vez, e de repensar o seu papel numa sociedade farta de tanta parcialidade e incompetência, personificada na governação e nos interesses corporativos despudoradamente representados nas bancadas da Assembleia da República.

Ou alguém poderá pensar que uma maioria de advogados ali arranjará maneira de (conscientemente) prejudicar os seus maiores clientes? – O povo que se lixe, mesmo à custa das maiores iniquidades, incluindo a retirada de direitos adquiridos depois de vida inteiras de trabalho e de contribuições.

O caminho terá pois de ser o de dar força a um movimento de cidadãos sérios e responsáveis, que dê uma expressão cada vez maior à criação de um “não-sistema”, que favoreça a constituição de uma imparável força de pressão que venha a permitir exigir que se ponha no poder gente séria e competente, disposta a servir definitivamente os interesses do povo, e não a servir-se dele, em serviço próprio ou de classe, e a sacrificar todo um país às gananciosas ânsias de uns quantos fulanos filiados nos partidos e fazendo disso o seu único modo de vida.

Fala-se muito, falou-se e continua sempre a falar-se em democracia para justificar o “sistema” vigente. Mas será que o que aconteceu esta noite  no Porto ela não foi exercida em toda a sua plenitude?

– Apesar de Lisboeta, reconheço que de lá sempre vieram boas lições. Que esta sirva também, meus senhores.

Leiam o discurso de Rui Moreira, está lá tudo dito.

Eugénio de Sá

Sintra – Portugal 29 de Setembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

HÁ POETAS NA MINHA TERRA um poema de António Barrosos (Tiago) - ( Inspirado no poema Poeta da Minha Terra, do amigo Eugénio deSá )

Há poetas na minha terra
 

( Inspirado no poema Poeta da Minha Terra, do amigo Eugénio deSá )

                             António Barroso (Tiago)



                                 Poeta, no teu verso, tão modesto,
                                 Procuras tua terra enaltecer,
                                 Mas custa vê-la, triste, empobrecer,
                                 Por isso, gritas, alto, o teu protesto.

                                 Não tem eco, talvez, esse teu gesto,
                                 Mas a musa te força a defender
                                 Essa terra que, um dia, te viu nascer
                                 E que te ensinou um viver honesto.

                                 Grita, poeta, grita o teu sentir,
                                 Grita para que o mundo possa ouvir
                                 Toda a revolta que teu peito encerra.

                                 E deixa que teus versos vão, no vento,
                                 Dizer que não morreu o pensamento,
                                 Que há poetas, ainda, em minha terra.



Parede – Portugal (11/09/2013)
Poeta da minha terra
Eugénio de Sá

Poeta da minha terra, que mergulhas na saudade
És poesia sem idade, puro objecto do amor
Em ti vive a nostalgia e um sentimento de dor
Que nascem da alquimía do sonho e da liberdade.
Ah poeta, a tua voz, cantada em trovas e fados
Leva ao mundo essa tristeza que a tua alma mói
E quando te envolve a mágoa da perda que tanto dói
Deixas nos versos o choro dos teus olhos marejados.
Mas também sabes sorrir quando te sorri a vida
E os teus versos vertem côr qual se fossem girassóis
Que salpicassem os prados da terra que te é tão querida.
Poeta da minha terra, deslumbrado de arrebóis
Teu coração inquieto sempre estará de partida
Em busca d’outras vivências, na procura d’outros sóis.



Sintra – Portugal – Agosto 2013

Artes Finais by Rita Rocha

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

FECHAM OS OLHOS um poema de Graça Ribeiro - Especial Semana das Mulheres -


Fecham os olhos


 Graça Ribeiro





 Essa violência  que abomino e condeno
 fica doendo em mim
e almejo respostas que não tenho

Matam por amor, quem diria?
 esquartejam aquela que amaram um dia
 retiram do mundo toda e qualquer poesia

Observo o noticiário e fico sem palavras
 condenam a vítima, especulam o passado,
 como se o crime não fosse crime 
a vítima passa a ser o acusado

Mulheres à mercê de homens imaturos
  que pensam ser donos do corpo
   da  alma e dos pensamentos
 antes amantes...depois  bichos violentos

Dói em mim a dor de todas as mulheres
 suas lágrimas invadem o meu rosto
 e diante dessa perplexidade
 penso no sonho de igualdade
 e os filhos que nada entendem
 choram e questionam a verdade

A mídia tudo transforma em espetáculo
  a violência, a mediocridade,
nada mais é obstáculo
 para o sensacionalismo
 dos crimes com requintes de crueldade
 
Entristece-me a realidade que vejo
 e mesmo assim ainda acredito
que a justiça há de prevalecer
 a intolerância, o preconceito,
 o dedo que aponta
 o desamor que condena
 um dia hão de sair de cena

A cruel indiferença,
a ausência de amor
 o descaso com os valores
 desamores e rancores
 a destruição da própria Casa
 São  consequências de uma batalha
onde o bem está perdendo a razão

Sonho com o dia em que a Paz
 o equilíbrio e a fraternidade
 voltem a reinar na humanidade





Tutorial de Sissi Designer

Tubes de Narah; DWorisch-foto Salih  Güler

Arte e Formatação Angela Conde
 Sintra - Portugal 11 Setembro 2013







terça-feira, 10 de setembro de 2013

A PÁGINA LACRADA - Eugénio de Sá




A página lacrada

Eugénio de Sá


Escoltada de Virtude e Consciência
Ela lá está, envolta em densa bruma
De mistério carrega a consistência
Do impossível, tudo o que a desuna

Ela é a página onde o lacre avulta
Hermética, cativa, insondável,
Fechada a toda e qualquer consulta
Qual cofre de segredo confiável

Lá dentro estão segredos e desejos,
Frustrações que guardamos só p’ra nós
Puzzles complexos, da vida; os sobejos!

Não raramente quando estamos sós
De lhe quebrar o lacre há o ensejo
Mas é um rio que corre contra a foz!


Sintra - Rio de Mouro - 10 Setembro 2013

O CICLO (IMPARÁVEL) DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - E O SILÊNCIO DOS INOCENTES, um poema de Eugénio de Sá

O CICLO (IMPARÁVEL)
DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA



A violência doméstica funciona como um sistema circular
– o chamado Ciclo da Violência Doméstica –
que apresenta, regra geral, três fases:

1. aumento de tensão: as tensões acumuladas no quotidiano, as injúrias e as ameaças tecidas pelo agressor, criam, na vítima, uma sensação de perigo eminente.
2. ataque violento: o agressor maltrata física e psicologicamente a vítima; estes maus-tratos tendem a escalar na sua frequência e intensidade.
3. lua-de-mel: o agressor envolve agora a vítima de carinho e atenções, desculpando-se pelas agressões e prometendo mudar (nunca mais voltará a exercer violência).



 
 
Este ciclo caracteriza-se pela sua continuidade no tempo, isto é, pela sua repetição sucessiva ao longo de meses ou anos, podendo ser cada vez menores as fases da tensão e de apaziguamento e cada vez mais intensa a fase do ataque violento. Usualmente, este padrão de interacção termina onde antes começou. Em situações limite, o culminar destes episódios poderá ser o homicídio, ou o suicídio da vítima, que vai perdendo, aos poucos, toda a auto estima e vontade própria, até se sentir um farrapo sem valia, não raramente procurando a auto destruição.

Nota:
É raro o agressor aceitar tratar-se, uma vez que lhe são reiteradamente reconhecidos os sintomas de uma paranónia, que ele sempre refuta.

Fonte:
MICROSITE INSPIRADO E ADAPTADO DO SITE
da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV)tima (APAV)



O silêncio dos ofendidos


Eugénio de Sá


Viver acompanhado, e todavia
Sentir-se só na casa que é de dois
É comum nestes tempos, e depois
De tristeza se vive o dia a dia


E este sentimento de impotência
Vai macerando a alma, e assim
Cada um se pergunta; que há em mim
Que mais não sou que uma transparência?


E eis que chega a vez de responder
Com o silêncio que há nos ofendidos
Deixando ao outro vez de se doer


E o que ao silêncio não quis dar ouvidos
Um dia escutará a porta, que ao bater
Com o fragor, abafa alguns gemidos!


 TAMBÉM PODE VER EM VÍDEO NUMA BELA FORMATAÇÃO DA AMIGA DIONI FERNANDES VIRTUOSO


 CIG
Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género
Presidência do Conselho de Ministros


Sintra - Portugal - 10 Setembro 2013 


sábado, 7 de setembro de 2013

HONRA E GLÓRIA AOS BOMBEIROS PORTUGUESES - 2013

 Em matéria de fogos
ESTE FOI O PIOR VERÃO DESDE 2006
 EM PORTUGAL


Com o Verão de 2013 prestes a chegar ao fim, é tempo de assumirmos o balanço do resultado dos fogos que varreram milhares de hectares no Norte e no Centro de Portugal. Não podem por isso os responsáveis deste Blog deixar de se ser solidários com a mágoa por que estão a passar os valorosos bombeiros destes país face à perda de 8 (oito) dos seus membros mortos em defesa das populações e dos seus haveres.
Esta é a nossa forma de manifestarmos o nosso mais sentido pesar.

Susana Custódio e Eugénio de Sá
SINTRA - PORTUGAL - SETEMBRO 2013

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

SER BOMBEIRO de Zé Albano *São sete (7) o número de bombeiros mortos nos incêndios de Portugal 2013

São sete (7) o número de bombeiros mortos nos incêndios de Portugal 2013 

SER BOMBEIRO...!

Zé Albano


Acorre sempre à tragédia e à desgraça
Nos apelos que ao seu quartel chegam em massa
Num compromisso constante com a pontualidade
Tem como objectivo o bem da Humanidade

Ser Bombeiro estampa-se agora a nobreza
De que perante todos os perigos é uma defesa
Em que toda a gente deposita confiança
Como num ídolo protector da segurança

Esforçando-se na estrada ou na floresta
No incêndio vai protegendo o que daí resta
Em prol do bem vai semeando o amor

Mesmo no naufrágio é visto como um Salvador
É audaz bem humano e também muito cortês
Vida por vida! Tem tocado tanta vez...

Guarda - Celorico da Beira - PORTUGAL 
Maio 2009

A ALIANÇA de Eugénio de Sá

Dos Vândalos do norte, aos Visigodos
dos ascéticos Celtas, aos Romanos
soubemos intuir dos bardos todos
os valores dos melhores; os Lusitanos

Galopámos por terras montanhosas
galgando a leste as serras mais bravias
vimos de mil batalhas gloriosas
defendendo estes chãos, com valentia

As hordas mauras, ferozes, respondemos
E em minoria, face aos castelhanos
heroicamente, como aos sarracenos
A todos eles, indómitos, vergámos

Muitos séculos passaram, muitos anos
mas os que desta terra se querem apossar
 saibam que inda hoje os bravos Lusitanos
 da bruma voltarão pra nos salvar!


Eugénio de Sá
Outubro
2012
Sintra - Portugal - Setembro 2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MEA CULPA - Eugénio de Sá

Mea culpa

Eugénio de Sá

Ah, se esta contrição tornasse leve
As culpas de te haver ignorado
Mas sabes tu, mulher, é este o fado
De quem ignora o bem, e a quem o deve

Chamas-te parva porque idealizaste
O que se pode querer de quem se ama;
O fulgor do desejo, aquela chama
Que em devaneios tu idealizaste

Mas nada foi secreto e eu senti
Que perdera, imbecil, todos os créditos
Ao ler no teu olhar tudo o que li

E se hoje já não ouves os meus éditos
Não posso censurar-te, pois eu vi
A desistência nos teus ombros trépidos

Sintra - Portugal - Setembro 2013

Também pode ver em vídeo na linda arte e formatação do amigo Dorival Campanelle