domingo, 4 de agosto de 2013

SOBERBAS DEBILIDADES - EUGÉNIO DE SÁ



Soberbas debilidades
Eugénio de Sá


Poucas coisas me espantam neste mundo
Mas dessas as maiores, por mais ousadas
Provêm d’imbecis com ar profundo
Que debitam pros mídia... bacuradas!

Dizem em singular o que é plural
Lembrando o sertanejo prosear
Como podem “senhores” falar tão mal
A língua que deviam dominar?

Freqüentam chãos de culto, alegremente
Sem se enxergar, sem mesmo quererem ver
Que a cultura os omite friamente.

E eu pergunto-me, incrédulo, sem ver
Como podem patetas e dementes
Nas votações, fazerem-se valer?



Edição e Arte Olga Kapatti
tube palhaço- swanja
 



HOJE VOLTEI AO MAR, E NO ENTANTO... um poema de Eugénio de Sá



Hoje voltei ao mar e no entanto...
A despeito dos cheiros de maresia
E da espuma que a onda desfazia
Já das sereias não lhes ouço o canto!

Repetem-se as marés lambendo a praia
As brumas são iguais às que os meus olhos
Viram cobrir falésias e escolhos
Como toalhas finas de cambraia

Sei que é o mesmo mar, e no entanto,
A despeito das estrelas que o decoram
Fazerem parte desse antigo manto,

Diferenças há, subtis, no seu encanto
Serão os garajaus ou as gaivotas?



 
Arte e Formatação:
AugustaBS
Sintra - Portugal - 2013
 

LUA CHEIA, um soneto de Eugénio de Sá

Entre o aquém e o além, doce penumbra
quando anuncias a noite branda e fria
A ti se vergam os esplendores do dia
Suspensos dessa alvura que deslumbra.

Que feitiços são os que configuras?
Porque uivarão a ti os cães e os lobos?
- Será que, deslumbrados, eles todos
Te amam, quais humanas criaturas?

Mãe das filhas da rua, que segredos
Guardarás tu no teu lado sombrio;
Que espantos, que misérias, e que medos?

Desvendá-los ? - Pra quê, que calafrios
se sentiriam lembrando os bruxedos
que à tua luz forjaram... desvarios !
Sintra - Portugal - Agosto 2013


Arte e Formatação:
AugustaBS
 

LÁGRIMAS DE SANGUE, um soneto de Eugérnio de Sá

Maior pesar não há, nem sofrimento
Que se compare à perda de um infante
Que de nós é pedaço unificante.
- Pra tanta dor não há um lenimento!

Esse arrancar de vida é tão injusto
Que a raiva se mistura ao padecer
E deita, de uma vez, tudo a perder
Aos que a fé sustentou a muito custo

Ver esvair-se, precoce, tanto amor
Ceifado pela foice capital
É quase perecer nesse estertor

É perder, da razão, o essencial
Deixar que alma vogue nesse horror
Vazia de sentido corporal
Sintra - Portugal - Agosto 2013

Arte e Formatação:
AugustaBS

AS PAIXÕES DE UM POETA, um soneto de Eugénio de Sá

Quem já foi cruamente desprezado
e sentiu fundo a dor do desengano
Sempre tem medo que esse seja o fado
que, a repetir-se, o deixará insano.

Não fora o ser sensível que o poeta
Transporta nos seus genes criadores
Não sentiria ser cousa provecta
A frustração de um ou mais amores.

Mas é próprio do asceta essa emoção
se uma paixão fatal nele se afunda
como punho apontado ao coração.

E todo esse seu ser então se inunda
Da veemência nobre da afeição
C'o a convicção mais grata e profunda.




Sintra - Portugal - Agosto 2013

Arte e Formatação:
AugustaBS

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

NÃO QUERO VER-TE MAIS EM MINHA VIDA de Ernane Gusmão



NÃO QUERO VER-TE MAIS EM MINHA VIDA

ERNANE GUSMÃO

NÃO QUERO VER-TE MAIS EM MINHA VIDA,
VAI LOGO EMBORA, SOME DE UMA VEZ;
MINH'ALMA EM CHAGAS É UMA SÓ FERIDA,
QUE O TEU VENENO TRAIÇOEIRO FÊZ.

NO MEU SEMBLANTE CARREGADO LÊS
A DOR ACERBA QUE TUA MENTE OLVIDA
E SE NÃO PARTES, VOU PARTIR QUERIDA,
E PARA SEMPRE VOU SUMIR...TALVEZ...

RESMUNGO TANTO, MAS NÃO VAIS EMBORA...
NEM EU TAMPOUCO VOU PARTIR AGORA,
DEIXANDO A GRAÇA DOS ENCANTOS TEUS.

IMPLORAS TANTA CARIDADE A MIM...
E SE CONSIGO TE ESCONDER UM "SIM",
ME FALTAM FORÇAS PRÁ DIZER-TE ADEUS!...

 2013

domingo, 28 de julho de 2013

TRIETO - TENHO SAUDADES DO POETA Sá de Freitas - O POETA NÃO MORREU! Eugénio de Sá - POETA NÃO MORRE Humberto Rodrigues Neto




TENHO SAUDADES DO POETA

Sá de freitas

Tenho saudade daquele poeta
Que sorria e vivia feliz;
Que era capaz de compor
Ate quatro sonetos por dia
E que agora em quatro dias,
Consegue compor apenas um;
Tenho saudades daquele poeta
Que ficava horas no computador,
Se interagindo com quase todos
Que fazia homenagem aos amigos
E amigas e também era homenageado
Que brincava, ria e fazia rir,
Que tocava violão
E cantava nas festas…
Mas de repente a sua inspiração diminuiu,
Ele foi se afastando e sendo esquecido
E sumiu…
Não sei se ele foi descansar
Em algum lugar,
Ou se morreu dentro de mim,
Para nunca mais voltar.

Samuel Freitas de Oliveira

Avaré – SP - Brasil

O poeta não morreu!

Eugénio de Sá

( dedicado ao poeta-irmão Sá de Freitas, inspirado 
no seu texto “Tenho saudade do Poeta” )


Não, o poeta não morreu, irmão
Estás apenas letárgico, dormente
Quem sabe se te inspira, docemente
  De um momento pró outro, o coração…

Não morreu o poeta que há em ti
O asceta brasileiro, universal
Que deslumbrou Brasil e Portugal
Com os mais belos versos que já li

Que um poeta assim não morre mais
Aguarda os ventos como vela bamba
Que um dia voltarão, em vendavais

E então regressarás c’o a verve panda
Inda mais inspirado que jamais
Porque a poesia em ti é que mais manda

Sintra - Portugal 

POETA NÃO MORRE

Humberto Rodrigues Neto

Morre, nada! Um poeta nunca morre
e quando pára momentaneamente
é pra evitar que a sua agitada mente
queime fosfatos e os neurônios torre.

Não adianta queimar inutilmente
nossas pestanas sem que o verso jorre;
se dada inspiração não nos ocorre,
busquemo-la alguns dias mais à frente.

Boas rimas ninguém faz em tempo escasso,
pois só nos surgem ricas e bem feitas
após noites de insônia e de cansaço.

Só tempo e calma dão poesias perfeitas,
seja na rima, no metro ou no compasso,
e disso entende bem o Sá de Freitas!
  

São Paulo - Brasil