quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A ESPERA um poema de Susana Custódio escrito em 1980

A ESPERA

Susana Custódio

Estava ali na areia, junto ao mar,
Olhando embevecida o pôr-do-sol!
Escutando as ondas no seu marulhar

A chuva caiu todo o dia sem parar!
Senti-a fria no coração! Eu estava só…
Todo o dia foi maior o meu penar!

Agora olhando o Sol a desaparecer
Sabia que tu haverias de chegar…
E abri os braços para te receber!
Tu chegaste! Abraçamo-nos a chorar…

Nesse instante finaram-se os tormentos,
E tu dizias – Meu amor, minha alegria –!
Ah! Como são puros estes sentimentos…
Quando estou só morro de melancolia!



1980
Sintra – Portugal

Tube: Hebe
Imagem jpg

Arte e Formatação: JoiceGuimarães


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

" NOSTALGIA " de Susana Custódio

 HOJE FAZ 43 ANOS QUE PARTISTE
19 de Agosto de  1970  - 19 de Agosto de 2013

NOSTALGIA

Susana Custódio

Não sei o que mais minh’alma chora;
No momento que escrevo, eu revivo
Esta dor que é antiga e que é d’agora,
Plo sentimento qu’ inda está tão vivo…

Mãe; não sei porque te foste embora!
Também esta amargura que cultivo
Em mim, e do que sinto, és geradora
E esta dor é lamento muito antigo.

Meu coração encharca-se de mágoas
Recordar? – Se destes olhos brotam águas...
Oh! Mãe, minha Mãe, quanta saudade!

Vê meu carinho mãe, por piedade...
Já que partiste da minha mocidade,
Vê; quero mostrar-te as minhas mágoas!






Sintra - Portugal 19 Agosto de 2013

OS MENINOS NO PARQUE DE CAMPISMO "VILA DE SANTO ANDRÉ -TESOUROS II

No dia 16 fomos até ao Parque de Campismo de Vila de Santo André
Os meninos foram lá passar um fim de semana grande (4 dias).
De lá fomos para Sines onde moram os restantes netos.
Fim de semana prolongado onde nos divertimos bastante.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

PRANTOS ANGELICAIS ***** Odir Milanez *****

PRANTOS ANGELICAIS


Odir Milanez


Apenas um menino, uma criança
tão ninguém que se vai do olhar da gente,
sonhando sonhos bons, que não alcança,
dês que a vida os deleta, simplesmente.

Trajando trapo, ao rés do chão descansa
abraçando-se ao sol, que o faz mais quente.
Quem culpado o julgou, pra tal vingança?
Quem condenou ao nada um inocente?

Passos passam por perto, passam rentes
ao anjo, aparentado de outros tantos,
acorrentado a cáusticas correntes.

Passam passos nos pisos de seus prantos,
o pranto costumeiro dos carentes,
dos anjos espectrais, dos sub-santos!


JPessoa/PB
11.08.2013
oklima



Sou somente um escriba
que ouve a voz do vento
e versa versos de amor...

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Clarinha, a sobrinha mais nova do poeta Eugénio de Sá

 Pedro Angeja Azevedo (irmão do nosso amigo poeta Eugénio de Sá
 Pedro A. Azevedo e sua mulher Sara Ferreira
 A Clarinha (nascida a 8 de Junho de 2013) completou ontem 2 meses
 O pai imitando a filha
 Brincadeira entre pai e filha
 Sara, a mãe com a Clarinha
Mãe e filha na esplanada
 Outra foto, mãe e filha
 Pai e filha

O tio (babado!!!), Eugénio de Sá com a Clarinha
 D. Paula Angeja Azevedo mãe do nosso amigo poeta Eugénio de Sé e de Pedro Angeja de Azevedo
Aqui a avó com os seus lindos 89 anos e sua neta Clara com 2 meses.

domingo, 4 de agosto de 2013


“os cronistas são os espiões da vida”
Esta definição tem alguma razão de ser. A sua autora; a jornalista brasileira Nísia Andrade Silva, pensou-a com conhecimento de causa, pois ela caracteriza bem quem sabe observar, comentar e criticar, em termos sintéticos, mas eficazes, os pormenores curiosos e/ou importantes do quotidiano da sociedade, nos múltiplos aspectos que a ela concernem.
Esta qualidade torna quem a merece credor do respeito e da admiração dos que à criação literária dedicam o seu carinho e a sua atenção. São esses os responsáveis da crónica ter voltado a ser considerada uma vertente igualmente nobre desta arte maior da expressão do pensamento humano; a literatura.
Por mim, a crónica,
que sempre defendi, baseia-se muitas vezes numa memória daquelas que colecionei ao longo dos meus tantos anos de vida, boa parte deles vividos nos mais belos recantos de Lisboa, e neles bebendo da vida que palpita nos seus mais castiços bairros e nesse mediano espaço oitocentista citadino, onde se cruza a austera e bem marcada teia pombalina, que do lado oriental está subordinada à imponência do castelo de S. Jorge, enquanto que do ocidental sobe mansamente para a colina do Chiado e do Carmo, improvisado palco do episódio principal da "Revolução dos Cravos", aquela que tudo prometeu aos portugueses e que, desgraçadamente, acabou por descambar num mar de frustrações para quantos nela acreditaram.
Hoje, as ruas da bela cidade capital bem como outras, um pouco por todo o lado deste país enganado e escarnecido, são as ruas da amargura para milhões de portugueses já descrentes seja no que for que se lhes diga, porque a sabedoria popular ensina que: “quem por norma tem mentir/uma verdade não sente/sempre que fale verdade/todos lhe dizem que mente! “
Que me seja perdoada esta expressão de revolta, mas concluí ser esta uma forma possível de vos dizer de meu estado de alma como português e como amante da palavra escrita e verdadeira. Portanto, não me proponho ficcionar factos e nem vivências, mas, outrossim; procurarei nestes meus contactos convosco, meus amigos, contar com rigor e comentar com critério e justiça, usando de algumas faculdades que me foram outorgadas por um Deus em que acredito.
E assim, a crónica que hoje vos apresento. Foi escrita há pouco mais de dois anos, escasso tempo depois da minha chegada a Bogotá, a linda capital da Colômbia, um país com múltiplas realidades e culturas, onde os nossos vizinhos espanhóis deixaram as suas raízes, como as deixaram um pouco por toda a América central e do sul, tal como nós a deixámos maurada a nossa presença no Brasil, nas duas costas africanas, e noutras tantas mais distantes; as da China e da Índia.
Do que vi em terras de Vera Cruz, onde residi dois anos, e depois na Colômbia, avulta um aspecto a um tempo interessante e assustador; o da visível necessidade de protecção que sentem sobretudo os que representam as classes mais elevadas da sociedade. A novidade é que também vai atingindo os restantes extratos da sociedade e progredindo em todoas as direcções. É um fenómeno que alastra já noutros continentes, à medida que se avolumam os problemas sociais dos países mais desenvolvidos, onde já existem muitos exemplos do vos falo abaixo.
Eugénio de Sá

As novas muralhas
Uma crónica de Eugénio de Sá
Ainda hoje nos deslumbram as construções defensivas medievais; os castelos, os fortes e os fortins, e outras, mais ou menos acasteladas, encimadas por ameias, rodeadas de fossos e com pontes levadiças. Muitas estão preservadas e são consideradas património mundial, para nosso merecido aplauso.
Face às acometidas guerreiras e invasoras desses tempos, esse era o sistema eleito, porque eficaz em termos defensivos. Ao toque dos vigias, as populações que viviam e laboravam mas imediações dessas construções, corriam a abrigar-se dos ataques sempre destrutivos dos exércitos conquistadores. Fica por perceber se a preocupação dos nobres que dominavam esses feudos acastelados e mandavam nos respectivos castelos, era defender a integridade física dos seus subditos, por pura bondade (sorriso), ou garantir a sua príncipal fonte de receita; os impostos sobre o trabalho, que normalmente correspondiam à apropriação de parte significativa dos bens produzidos, para consumo ou comércio próprios, explorando as gentes, que dominavam, subjugavam e abusavam, a seu bel -prazer.
Não vou, obviamente, entrar na análise dos benefícios ou maleficios do feudalismo dominante à época, mas não quero deixar de assinalar, com uma nota de ironia, a necessidade que, nos nossos dias, os novos grupos dominantes têm de se voltar a fazer envolver por autênticas muralhas, também de natureza humana; os conhecidos guarda- costas, ou gorilas.
Claro que estas novas muralhas não ameaçam já uma fritura do parceiro com azeite fervente, mas outra, a de uma descarga eléctrica de muitos voltios, ou, pelo menos, a garantia de um precoce ataque de parkinson a quem se atreva a tomá-las de assalto. Afinal, perguntamo-nos: em que evoluiu o homem, que hoje, tal como há muitos séculos atrás, vive muralhado e caminha, ou se faz transportar em carros blindados, e guardado por gente armada até aos dentes?
Conhecemos as causas, mormente as que se fundam na emergente e continuada movimentação das gentes famélicas do fustigado e explorado sul a caminho dos invejados e “exploradores” países (antigamente) conhecidos por mais ricos e felizes, e que com a ctual crise carecem de ser caracterizados hoje de forma bem diferente.
Agora os “invasores” são outros, os que ameaçam conquistar novos e mais privilegiados espaços; esses que habitam os aglomerados mouros de Argel a Casablanca, os muceques africanos, as favelas brasileiras, as comunas de muitos países das américas do sul e central e que já alcançaram os bairros periféricos de todas as grandes cidades europeias, as do sub continente americano e as da própria América do norte. Ali também já chegaram os dias de medo, como o prenuncia o cortejo dos seus milhões de desempregados, sempre em crescendo.
Afinal o famoso “way of live” dos gringos mais não era que uma gigantesca farsa, montada sobre uma montanha de créditos que acabaram inapelavelmente mal parados, um “way of live” que caiu como um baralho de cartas e vai deixando, aos poucos, exposta uma pobreza que o mundo desconhecia, num tecido social onde os espaços intercalares são cada vez mais estreitos.
Os norte americanos querem esconder esta verdade que dizem ser diferente das verdades já bem visiveis em quase todos os países europeus, mas a rede da sua peneira é demasiado aberta e deixa passar as dramáticas imagens dos milhares de sem-abrigo que por lá se arrastam.
O mundo dito desenvolvido está sob a ameaça de um barril de pólvora. Oxalá ninguém se lembre de acender o rastilho.

Que não se limite a veia criativa a um poeta, a um escritor ! Eugénio de Sá




Que não se limite a veia criativa
a um poeta, a um escritor!
Esta é uma questão, sempre momentosa, que deixo à reflexão do leitor.

Por: Eugénio de Sá


Um poeta, um escritor, é, por natureza, um ficcionista. Não pode imaginar-se que quem faz da escrita uma atividade quotidiana se limite a transmitir ao que escreve os seus próprios sentimentos. Não se pode pensar, por exemplo, que um dramaturgo, ao escrever para uma peça teatral, esteja a navegar num mar de dramaturgia própria, vandalizando o santuário da sua alma com invasões tumultuadas e masoquistas.

O mesmo se passa com um poeta ao descrever, em metáforas, todo um oceano de sentimentos humanos, fruto da sua cultura vivencial, não necessariamente recolhida em experiências próprias, mas também doutros cúmulos, com base no que leu, viu e ouviu no decurso de toda a sua existência, já que é, por natureza, um observador atento dos corportamentos do seu semelhante.

Coartar este fluxo criativo a um escritor, a um poeta - bastas vezes por motivos puramente egoístas, não alheios a eventuais tendências esquizofrénicas - é sempre um acto cruel a repudiar. Invariávelmente, o portador dessas propensões bizarras, procura encontrar justificação para si próprio no que ele pensa serem fundadas razões, mas que, na realidade, brotam de uma inconfessada inveja, ou do torpe ciúme, ou ainda doutra qualquer autoproposta e distorcida visão nascida de sentimentos menores, senão mesmo vis.

Estes procedimentos constituir-se-ão sempre numa condenável, cobarde e injusta censura, que ignora ou tenta minorizar a força do acto criativo, querendo reduzi-lo por “mesquinhices” castradoras, que, mais tarde ou mais cedo, acabarão por produzir sérios revezes na veia criadora daquele que se escolheu como vítima desse tipo de agressão.

Por tudo o que fica escrito, ganha jus o poema do imortal José Carlos Ary dos Santos, que a seguir transcrevo: 
 
   
    Poeta Castrado, não!
 
    Serei tudo o que disserem
    por inveja ou negação:
    cabeçudo, dromedário
    fogueira de exibição
    teorema, corolário
    poema de mão em mão
    lãzudo,  publicitário,
    malabarista,  cabrão.
    Serei tudo o que disserem:
    Poeta castrado, não!
 
    Os que entendem como eu
    as linhas com que me escrevo,
    reconhecem o que é meu
    em tudo quanto lhes devo:
    ternura, como já disse
    sempre que faço um poema;
    saudade que se partisse
    me alagaria de pena;
    e também uma alegria,
    uma coragem serena
    em renegar a poesia
    quando ela nos envenena.
 
    Os que entendem como eu
    a força que tem um verso
    reconhecem o que é seu
    quando lhes mostro o reverso:
 
    Da fome já não se fala…
    é tão vulgar que nos cansa ...
    mas que dizer de uma bala
    num esqueleto de criança?
 
    Do frio não reza a história…
    a morte é branda e letal ...
    mas que dizer da memória
    de uma bomba de napalm?
 
    E o resto que pode ser
    o poema dia a dia? …
    Um bisturi a crescer
    nas coxas de uma judia;
    um filho que vai nascer
    parido por asfixia?! …
    Ah não me venham dizer
    que é fonética a poesia!
 
    Serei tudo o que disserem
    por temor ou negação:
    Demagogo, mau profeta
    falso médico, ladrão
    prostituta, proxeneta
    espoleta, televisão.
    Serei tudo o que disserem:
    Poeta castrado, não!

    José Carlos Ary dos Santos

Ouçam aqui a fabulosa declamação do saudoso autor: