segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ALMA MINHA, SUBTIL... de Eugénio de Sá


Alma minha, subtil….

Que subtis refúgios a alma esconde
Quando, promíscuo, o senso a perscruta
Sem saber nela como e nem aonde
Procurar causas em que o ser matuta?

Que ténues mecanismos serão esses
Que engenhosos, hábeis, perspicazes
Produzem na consciência tais reveses
Que calam os mais sábios e loquazes?

É que, tendo a alma a tal prerrogativa
De se encontrar com o pélago da mente
Mesmo sem do absoluto ser cativa,

Temos de considerar ser procedente
D’Espinosa a norma subjuntiva;
Que a alma é do divino consequente.



Sintra - Portugal - Novembro 2013

VEJA AQUI O VÍDEO NUMA BELA FORMATAÇÃO DO AMIGO DORIVAL CAMPANELLE
  

VOA MINHA POESIA de Eugénio de Sá



Voa, minha poesia

Eugénio de Sá


Voa minha poesia, de lirismo plena
cruza dos horizontes a lonjura
leva d'Erato exemplo da doçura
que aos olhos que te lerem seja amena.

Voa minha poesia, sobre os mares
sobre a terra dos cinco continentes
leva de mim amor a tantas gentes
quantas merecerem o que vai plos ares.

Voa minha poesia, que a virtude
que possas ter no que de mim exprimes
leve amor, leve paz, leve quietude...

E aos que te receberem,  que os sublimes
que lhes dotes a vida d' atitude
que os faça acreditar que tu redimes.


Sintra - Novembro 2013
 Veja também em vídeo numa bela formatação do amigo Dorival Campanelle



QUE SE CUMPRA A PROFECIA, um soneto de Eugénio e Sá, inspirado num apontamento profético de Fernando Pessoa

“ Quem nasce em Portugal é por Missão ou Castigo

- Profecia lapidar da Montanha de Sintra.

E a nossa grande Raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas «daquilo que os sonhos são feitos». E o seu verdadeiro e supremo destino, de que a obra dos navegadores foi o obscuro e carnal ante-arremedo, realizar-se-á divinamente. “





de Fernando Pessoa, extraída de A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicológico, in A Águia, nº 12, II série
 



Que se cumpra a profecia!


Autor: Eugénio de Sá


( Inspirado no texto do Mestre, acima transcrito )



Quem sabe alguém possa conferir razão
- Retornada a nobreza à portuguesa essência -
Ao pessoano augúrio de doce predição;
Que Portugal ressurja da dormência.

Que o “arremedo” anterior enfim se fique
Deslumbrado de história e de quimera
Como ficou el rei em chãos d’ Ourique 
E Portugal se reerga, noutra era.


Que a que vier dotemos de decência
Mais irmandade e sábia consciência
Magnos valores que brilhem neste mundo;


Que mais não está carecido que o descubram
Mas que alimentem, protejam e cubram
Os que soçobram, em sofrer profundo!


Portugal
Novembro de 2013



ESPERANÇA PARA DUAS VIDAS, um poema ( diferente ) de Eugénio Sá


ESPERANÇA PARA DUAS VIDAS


( Eugénio de Sá )


ONTEM...

Ontem, perdi as ilusões de ser feliz
Pensei... que depois do adeus, te veria de volta
Mas, bárbaro destino; nenhum de nós o quis!


DEPOIS DE ONTEM...

Ontem, esquecido o norte, barco à solta
Sem leme, sem vontade a dar-me rumo
Já nem um esgar assomo, de revolta.


UM ANO DEPOIS DE ONTEM...

Ontem, vi-te num bar; queres um café?
Com vai tua vida, estás feliz?
E as mãos se deram, sem saber porquê.



de mara Pontes

Tubes, Luna e LuciaDiPietro

Arte e Formatação,

Lucia Di Pietro
Sintra -Novembro 2013

Também pode ver em vídeo na bela formatação de Dorival Campanelle


O TROVADOR AMANTE de Eugénio de Sá

Composição fotográfica de Susana Custódio




O trovador amante

Eugénio de Sá

Que terno é ver toucar-se o ameno estio
De mil pictóricos e florais encantos
Enquanto o fio de água que era um rio
Murmura amores castos, quase santos.

Que doce é ver um trovador amante
Cantando à sua amada, com ardor
Uma canção de amor meiga e vibrante
Debaixo de um ulmeiro acolhedor.

Sente o poeta que o espírito se eleva
- Do ser terreno percebe-se evadido -
E ali o nobre asceta enfim sossega

Embalado plos som que é possuído
É branda e é serena a sua entrega
Aquelas trovas que ouve enternecido.



Sintra - Portugal -2013

Também pode ver em vídeo na bela formatação do amigo Dorival Campanelle

SONHO EMPRESTADO de Eugénio de Sá


Sonho emprestado

Eugénio de Sá


Empresto-te o meu sonho de poeta
Minha amiga, já que os teus esgotaste
E esta noite sonharás desperta
E eu dormirei amando o que sonhaste

Sentir-te-ás voando em nuvens altas
Correndo os dedos em cítaras divinas
Das tuas dores não sentirás a falta
Porque elas se tornaram pequeninas

E contigo estará este lirismo
Que fez de mim poeta e me dotou
Da magia de amar que ora te dou

Enquanto eu, amiga, ficarei
Esvaziado de mim, mas encantado
Porque afinal é teu o meu sonho emprestado!

Veja aqui o vídio numa bela formatação da amiga Maria Inês Aroeira Braga





Também o vídeo com o poema na voz do poeta Eugénio de Sá com formatação de Susana Custódio 

" PODES ENTRAR" Humberto Rodrigues Neto - HOJE 11 NOVEMBRO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO


PODES ENTRAR
Humberto Rodrigues Neto


Brigamos, certa vez, e nunca mais
nos demos um ao outro alguma chance;
nem um nem outro desejou jamais
voltar a folhear velho romance...

Nós nos amávamos sinceramente
num lar onde floria real meiguice...
Um dia o desmanchamos num repente
de questões bobas de pueril tolice.

Porém das ondas da vida ao marulho,
eis que ela quebra a minha noite insone
a perguntar, já despida de orgulho,
se inda a amo, a chorar ao telefone.

Mantendo o que inda resta dos meus brios,
tento repor o aparelho no gancho,
mas envolto em remorso e calafrios,
lhe digo em pranto que no olhar desmancho:

Perguntas-me se ao lar podes voltar
já não tão jovem e nem tão faceira...
Ah, podes... Podes sim...  É só pegar
a chave que ainda está sob a floreira!



 Hoje dia 11 de Novembro é dia de S. Martinho -Portugal
Também é o dia do aniversário do nosso amigo
Humberto Rodrigues Neto - Humberto Poeta

São Humberto Martinho
(Eugénio & Susana)

É Dia de São Martinho
E festeja-se o santinho
Com água-pé e castanha
Junta-se o pão e as famílias
Afugentam-se as quezílias
E não há quem se abstenha!

O dia é também de Humberto
E é por ele que aqui disserto
Nesta data tão especial
É teu níver, não esquecemos
Não estranhes que a ti brindemos
Desde aqui, de Portugal.





Sintra – Portugal – 11 Novembro 2013