quarta-feira, 20 de novembro de 2013

RITUAIS PERVERSOS de Eugénio de Sá


Rituais Perversos
Eugénio de Sá
Aqui, onde a razão é escarnecida
E a Lusitânia tem raízes fundas
Megeras há que urdem, furibundas
Feitas com bruxos c'o a alma vendida

No palco cai o manto e os celerados
Fazem do mal o lema que os condena
À mais vil condição, quase obscena
Das lesmas que carregam os seus fados

Na podridão da cátedra que inventam
Para ocultar as mentes truculentas
Escondem os restos que ainda os sustentam

Que mais hás de pagar, que essas ventas
Fauces horríveis, garras que desventram
Inda te habitam, pátria, inda os ostentas?

 Sintra - Portugal - Novembro 2013



domingo, 17 de novembro de 2013

MEIA NOITE, MEIO SONHO, um poema inédito de Susana Custódio


Meia noite, meio Sonho


(Susana Custódio)


Meia noite, meio sonho
Há metade por sonhar
Num sono que quero abono
Que a vida vá reciclar.

Em todo o seu esplendor
Nas noites que não dormi
Pra mim foi tempo d’amor
Nas serenatas que ouvi.

Na tua voz que as cantou
Em notas feitas de esperança
Busco o que nos separou
Guardo comigo a lembrança.

Ah, serenatas sofridas
Meias noites assombradas
Meias noites tão compridas
Tristes manhãs madrugadas.

Desse tempo não dormido
Loucura, não faz sentido
Meias noites são castigo;
As qu'inda sonho contigo!





Leter Created   

by Judith

Mist by Corine Vicaire

Background by Nikita


Sintra - Portugal - Novembro 2013


 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

VAI PENSAMENTO de Eugénio de Sá

Foto de Susana Custódio - em Porto Novo




Vai pensamento

Eugénio de Sá


Vai pensamento, até onde a maresia
deixa os odores nas dunas dum estuário
por mais que consideres ser contrário
à lógica da vida, a fantasia.

Vai pensamento, e leva-me contigo
até onde as gaivotas se deleitam
num leito feito d'algas, e se deitam
sentindo que é ali o seu abrigo.

Vai penamento, e sonha tu por mim
Com sussurros de espiritos amantes
Porque é egrégio sonharmos assim

Vai pensamento, expõe-me à aventurança
De que haja uma sereia que me cante
Que não largou do cais a antiga esperança!






Sintra - Portugal -Novembro 2013
 
Também pode ver em vídeo numa bela formatação da querida amiga Dioni Fernandes Virtuoso



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ALMA MINHA, SUBTIL... de Eugénio de Sá


Alma minha, subtil….

Que subtis refúgios a alma esconde
Quando, promíscuo, o senso a perscruta
Sem saber nela como e nem aonde
Procurar causas em que o ser matuta?

Que ténues mecanismos serão esses
Que engenhosos, hábeis, perspicazes
Produzem na consciência tais reveses
Que calam os mais sábios e loquazes?

É que, tendo a alma a tal prerrogativa
De se encontrar com o pélago da mente
Mesmo sem do absoluto ser cativa,

Temos de considerar ser procedente
D’Espinosa a norma subjuntiva;
Que a alma é do divino consequente.



Sintra - Portugal - Novembro 2013

VEJA AQUI O VÍDEO NUMA BELA FORMATAÇÃO DO AMIGO DORIVAL CAMPANELLE
  

VOA MINHA POESIA de Eugénio de Sá



Voa, minha poesia

Eugénio de Sá


Voa minha poesia, de lirismo plena
cruza dos horizontes a lonjura
leva d'Erato exemplo da doçura
que aos olhos que te lerem seja amena.

Voa minha poesia, sobre os mares
sobre a terra dos cinco continentes
leva de mim amor a tantas gentes
quantas merecerem o que vai plos ares.

Voa minha poesia, que a virtude
que possas ter no que de mim exprimes
leve amor, leve paz, leve quietude...

E aos que te receberem,  que os sublimes
que lhes dotes a vida d' atitude
que os faça acreditar que tu redimes.


Sintra - Novembro 2013
 Veja também em vídeo numa bela formatação do amigo Dorival Campanelle



QUE SE CUMPRA A PROFECIA, um soneto de Eugénio e Sá, inspirado num apontamento profético de Fernando Pessoa

“ Quem nasce em Portugal é por Missão ou Castigo

- Profecia lapidar da Montanha de Sintra.

E a nossa grande Raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas «daquilo que os sonhos são feitos». E o seu verdadeiro e supremo destino, de que a obra dos navegadores foi o obscuro e carnal ante-arremedo, realizar-se-á divinamente. “





de Fernando Pessoa, extraída de A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicológico, in A Águia, nº 12, II série
 



Que se cumpra a profecia!


Autor: Eugénio de Sá


( Inspirado no texto do Mestre, acima transcrito )



Quem sabe alguém possa conferir razão
- Retornada a nobreza à portuguesa essência -
Ao pessoano augúrio de doce predição;
Que Portugal ressurja da dormência.

Que o “arremedo” anterior enfim se fique
Deslumbrado de história e de quimera
Como ficou el rei em chãos d’ Ourique 
E Portugal se reerga, noutra era.


Que a que vier dotemos de decência
Mais irmandade e sábia consciência
Magnos valores que brilhem neste mundo;


Que mais não está carecido que o descubram
Mas que alimentem, protejam e cubram
Os que soçobram, em sofrer profundo!


Portugal
Novembro de 2013



ESPERANÇA PARA DUAS VIDAS, um poema ( diferente ) de Eugénio Sá


ESPERANÇA PARA DUAS VIDAS


( Eugénio de Sá )


ONTEM...

Ontem, perdi as ilusões de ser feliz
Pensei... que depois do adeus, te veria de volta
Mas, bárbaro destino; nenhum de nós o quis!


DEPOIS DE ONTEM...

Ontem, esquecido o norte, barco à solta
Sem leme, sem vontade a dar-me rumo
Já nem um esgar assomo, de revolta.


UM ANO DEPOIS DE ONTEM...

Ontem, vi-te num bar; queres um café?
Com vai tua vida, estás feliz?
E as mãos se deram, sem saber porquê.



de mara Pontes

Tubes, Luna e LuciaDiPietro

Arte e Formatação,

Lucia Di Pietro
Sintra -Novembro 2013

Também pode ver em vídeo na bela formatação de Dorival Campanelle