Carnevale
Eugénio de Sá
Tem na história
explicações distantes
O Carnaval como hoje
o conhecemos
E do pouco que lemos
e sabemos
Quase voltou ao tudo
que era antes
Lembremos o Egito há
seis mil anos
Quando Isis inspirou
toda essa festa
E nas margens do Nilo
se cumpria a gesta
Em honra à fértil
terra dos profanos
Depois foram os
gregos a criar
Em culto a Dionísius
rituais
Próprios de um deus,
gerados por mortais
Amantes de beber e de
folgar
Já Roma ao deus
Saturno dedicou
As festas mais
ousadas e carnais
Promovendo na urbe as
saturnais
E em bacanais e vinho
se afogou
De “carrum navalis”
era então chamado
O cortejo que abria a
temporada
Pois tinham proas,
rés e amurada
Os carros do desfile
engalanado
E foi vez de pôr
cobro à extravagância
Com usos d’outra
gente mais austera
E o carnaval passou a
ser quimera
Quando os cristãos
esfriaram essa ânsia
Já século quinze
andado o Papa Paulo
Decidiu abrandar a
interdição
E permitir que todo o
bom cristão
Dançasse mascarado a
seu regalo
Mas é próprio do
homem e da história
Que se alarguem
limites ao início
E assim de presto
voltou tudo ao princípio
Esquecidas restrições
de má memória
E enquanto a Veneza
evidencia
Ainda algum pudor e
continência
Noutros locais do
mundo em opulência
Solta-se a carne viva
na folia
Hoje os ecos do samba
são ouvidos
Por todo este planeta
admirado
E o Carnaval aos pés
do Corcovado
Deixa a perder de
vista os mais antigos
Nota do autor:
Por ordem cronológica, a história do
Carnaval radica no Egito, na Grécia e Roma antigas, e nas cidades marcadas pelo
Renascimento Europeu, particularmente
Veneza.
O Carnaval encontra no Rio de
Janeiro o seu quarto Centro de excelência resgatando o espírito de Baco e Dionísus.
Ao contar uma história que completa
seu sexto milênio e que acompanha a própria história da humanidade,
a história do carnaval, considera os
seus marcos de referência, divididos em
quatro períodos: o Originário(4.000
anos a.C. ao século VII a.C.), o Pagão
(do século VII a.C. ao século VI d.C.), o Cristão ( do século VI ao século
XVIII ) e o Contemporâneo (do século XVIII
à actualidade).
Sintra - Portugal - Março 2014





















