domingo, 14 de julho de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
NOSTALGIA um texto de eugénio de Sá
Costumo perguntar a mim próprio donde me vem esta nostalgia de um
tempo que não vivi, mas que soube haver existido através de inúmeros
testemunhos recolhidos quer de belíssimas e inesquecíveis leituras, quer de
ternas evoções ouvidas a antepassados que há muito se foram. De um tempo em que
a delicadeza, a sensibilidade, o cuidado com os demais, o respeito pelo alheio e
pelos princípios éticos eram tão naturais como respirar. De um tempo que parecia
ter a sociedade atingido os objetivos maiores que o homem poderia ter imaginado.
De um tempo, em suma, em que o simples olhar a natureza, a sua harmonia, as suas
cores, eram, em si mesmos, prazeres indispensáveis e suficientes ao
espírito.
Será que são saudades de «uma outra vida», ou somente a mágoa de
não haver desfrutado plenamente boa parte dessas doçuras sociais, que tão bem
foram descritas pelos grandes prosadores e poetas e completadas pela
sensibilidade dos compositores imortais, os únicos - na minha opinião - que
ainda hoje justificam que se chamem "concertos" à execução pública das suas
obras?
Na verdade, sinto-me cada vez mais distante da chamada realidade
de um mundo que parece ser paralelo ao meu, de uma outra dimensão. Incrédulo ao
que vejo e escuto, quantas vezes prefiro isolar-me, remetendo-me aos meus
próprios pensamentos, evocações e íntimos
encantamentos.
Talvez «já não me use», como alguém provavelmente dirá ao ler este
desabafo. E terá razão, segundo os padrões de aferição entretanto
em vigor.
Mas que querem; não sou capaz de me ajustar à...
modernidade.
Resmunguices de velho, não liguem.
Ah, e deixo-vos um único recado: a liberdade de cada um de nós é a
conquista mais bonita alguma vez conseguida pelo ser humano. Mas ela encontra o
seu limite justamente onde começa a liberdade de outrém. Impormos a nossa
vontade a outro ser humano, subordinando-o e humilhando-o, é a negação completa
do que quer realmente significar essa bendita palavra.
Arte e
Formatação:
AugustaBS
Sintra - Portugal - Julho de 2013
PARCIALIDADE - Eugénio de Sá
Rogamos ao
direito, por direito
Que seja imparcial nas decisões
Mas responde o direito em negações
Às ânsias da justiça, de seu jeito.
Que seja imparcial nas decisões
Mas responde o direito em negações
Às ânsias da justiça, de seu jeito.
Baixa a
credibilidade de quem julga
À condição menor do parcial
E em torvelinhos movidos plo mal
Roda no vento o arbítrio que perturba;
À condição menor do parcial
E em torvelinhos movidos plo mal
Roda no vento o arbítrio que perturba;
Que ao rico
vem trazer o beneplácito
E prescreve o injusto como tácito
Por consentido ardil que a lei permite.
E prescreve o injusto como tácito
Por consentido ardil que a lei permite.
Roda a
fortuna que falseia a sorte
Dos que sem ela, sem seu braço forte,
Se vergam à justiça, que os omite.
Dos que sem ela, sem seu braço forte,
Se vergam à justiça, que os omite.
Arte e
Formatação:
AugustaBS
Sintra - Rio de Mouro - Julho de 2013
Homenaje al poeta Joaquim Evónio "Tangueando" - ARGENTINA - BUENOS AIRES
Marga Mangione & Maria Bertília de Sousa Custódio
Querida Susana:
Te envío las fotografías leyendo el
poema "Tangueando" haciendo un homenaje al poeta Joaquim Evónio y
nada mejor que teniendo detrás nuestro la fotografía de Carlos Gardel.
Me acompaña nuestra amiga Marga
Mangione que le encantó el poema y te manda muchos cariños.
Lo leí en el Café Literario
Almafuerte "Duendes del Sur". Fundado por Marga Mangione.
Traducción: María Bertilia de Sousa
Custodio.
Fotografía: Marta Mangione.
TANGUEANDO
Amo a quién ama el tango…
voy a tanguear hasta morir
en las pampas argentinas
donde los corazones se pierden
y las almas vuelan eternas.
Si bailar es ser etéreo
y tener alas para volar
dejaré Cascáis mi tierra
por el espacio sideral…
Perderé peso corpóreo
seré más liviano que el aire
giraré al ritmo del viento
y al murmullo del mar…
Autor: Joaquim Evónio
voy a tanguear hasta morir
en las pampas argentinas
donde los corazones se pierden
y las almas vuelan eternas.
Si bailar es ser etéreo
y tener alas para volar
dejaré Cascáis mi tierra
por el espacio sideral…
Perderé peso corpóreo
seré más liviano que el aire
giraré al ritmo del viento
y al murmullo del mar…
Autor: Joaquim Evónio
Os amigos de
Joaquim Evónio estão muito agradecidos a estas duas amigas da Argentina pela
linda homenagem ao poeta.
Em nome de
todos os amigos
Muito obrigada
Susana Custódio
Susana Custódio
Sintra –
Portugal – Julho de 2013
TANTA GRATIDÃO - Susana Custódio
Tanta
gratidão
Susana
Custódio
Eu que
modesta sou, por natureza
Não posso crer, não posso acreditar
No merecimento que me pode honrar
Que ora recebo por extrema gentileza
São tempos de louvor, de graça tanta
Estes dias de Maio com que o Senhor
Sabe-se lá porquê, mas com amor
Trouxe ao meu coração o que m’encanta
Um prémio que recebo dos amigos
E mais um outro entregue pelo céu;
Uma dobrada jóia que eu bendigo
Com é possível alguém ser ateu
Perante a tanta evidência deste índigo
Que a transcendência nunca se esbateu?
Não posso crer, não posso acreditar
No merecimento que me pode honrar
Que ora recebo por extrema gentileza
São tempos de louvor, de graça tanta
Estes dias de Maio com que o Senhor
Sabe-se lá porquê, mas com amor
Trouxe ao meu coração o que m’encanta
Um prémio que recebo dos amigos
E mais um outro entregue pelo céu;
Uma dobrada jóia que eu bendigo
Com é possível alguém ser ateu
Perante a tanta evidência deste índigo
Que a transcendência nunca se esbateu?
22 de
Maio de 2012
Imagens colhidas na
net
Edição e Arte final: Dea Maia
Este poema escrito o ano passado pelo meu aniversário e sabendo já que iria ser avó de dois meninos gémeos.
Hoje eles aqui estão quase com 9 meses
Sintra - Portugal - Julho de 2013
ALGARVE - Eugénio de Sá
Algarve
Eugénio
de Sá
Com
cheiros amendoados, com gaivotas
Com
chaminés rendadas e branquinhas
Com
lendas encantadas, com poetas
Com
céus d’oiro, chilreios de andorinhas
Com
praias de beleza estonteante
Com
doce ondulação beijando areias
Com
branduras de brisa acariciante
Com
transparências d’água, marés cheias
Com
os bailes mandados, corridinhos
Com
lingueirão, conquilhas, marafados
Com
dom rodrigos como os mais docinhos
Com
os gostos do mar nos cozinhados
De
tudo isto é feito o belo Algarve
Onde
o cultor de Alah deixou raízes
Só
não ama este sul quem dele não sabe
Ver-lhe
nos tons os mais lindos matizes
Portugal
Dezembro
2007
Á linda província portuguesa do Algarve
e às suas gentes, que tão bem sabem
receber.
E.S.
VER EM VÍDEO - Linda arte de Rita Rocha
A GRANDEZA DE AMAR - Eugénio de Sá
A grandeza de amar
Eugénio de Sá
Nos mais ternos momentos,
nos melhores;
Quando se trocam hálitos e
beijos
E as mãos irrequietas de
desejos
Não têm pouso certo para
ficar,
Quando o sangue sentimos
fervilhar
Nos estreitos abraços que
trocamos,
É tempo de nos dar a quem amamos
Num esplendor (perturbado)
de sentidos
Em que a mistura dos nossos
gemidos
Engrandece e sublima o
verbo amar.
Nesses ternos momentos, nos
melhores;
Quando a fusão dos corpos é
total
E o fulgor dos olhares é
crucial
Pra transmitir de nós
ternura imensa,
As almas brilham com uma
luz intensa
É então plena a glória dos
amantes;
Que o desejo é fugaz e em
instantes
Fica rendido às regras do
desfecho
Mas fazermos amor é só um
trecho
Do bonito
romance que é amar.
Arte e
Formatação:
AugustaBS
Sintra - Portugal - Julho 2013
VER EM VÍDEO - Uma formatação de Dorival Campanelle
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