sábado, 12 de janeiro de 2013

PORTUGAL - Um balanço da situação político/financeira/social - Resumo do Relatório do FMI com sugestões para a estabilização económico/financeira do país




Portugal




11 de Janeiro de 2013





Longe vai o tempo em que os nossos irmãos brasileiros punham um olhar longínquo, como se quisessem enxergar um horizonte impossível - ao ouvirem falar das mordonomias de que gozavam os cidadãos europeus, mesmo os menos afortunados, os do sul, entre os quais os portugueses.

Viviam-se então os anos finais da década de oitenta. Depois, começou a falar-se numa crise que, ao invés de se mostrar passível de inversão, veio a revelar-se persistente, sempre em crescendo, até que só mesmo uma intervenção do FMI em operação conjugada com o Banco Central Europeu permitiu salvar o sistema financeiro do país de uma iminente banca rota. Estava-se então em Maio de 2011.

É verdade que as regras impostas pela denominada Troika, como condição para que se realizasse o empréstimo gradual de cerca de 78 mil milhões de euros, conduziram os portugueses a sacrifícios até então impensáveis, mas tudo o que se passou até agora parece ser uma brincadeira de crianças em comparação com o que se vislumbra vir a acontecer a curto prazo. Na realidade, perante o relatório encomendado recentemente pelo governo português a consultores do FMI, o chamado estado social conquistado com sangue suor e lágrimas de tantos filhos desta nação após a chamada revolução dos cravos, emergente de uma ditadura de quase cinquenta anos, parece estar irremediavelmente condenado à extinção.

Entretanto, o país vive já em profunda recessão, mercê do elevado e sempre crescente desemprego que se regista, com o seu rosário de dramas e carências, enquanto que o investimento está praticamente reduzido a zero, não obstante a banca ter sido reequilibrada em matéria de solvência. Salva-se a balança de pagamentos, que vem registando crescentes acréscimos na exportação, embora ameace agora estagnar ou até regredir, mas que continuará ainda equilibrada mercê de uma significativa redução das importações.
Os tradicionais mercados europeus, mercê da actual debilidade das suas economias, compram-nos menos, mas outros destinos se têm entretanto aberto aos nossos produtos. Valha-nos isso.

Politicamente, fala-se muito e realiza-se pouco. Isto é próprio dos latinos, está-nos no sangue. Mas é lamentável assistir ao nível a que a dialéctica parlamentar baixou, tal como a mediatização promovida pelas várias televisões, onde se perde um tempo precioso em mesas redondas, quadradas e de outros formatos geométricos, que pouco ou nada adiantam em termos de ideias aproveitáveis para uma mais eficaz governação que minore os sacrifícios impostos ao povo, ao invés de os aumentar, como se vê no presente Orçamento de Estado para 2013, ainda em fase de análise constitucional, por dúvidas do Presidente da República relativamente a matérias que mexem com impostos acrescidos e a retirada (ainda que temporária) de benefícios e direitos adquiridos a milhões de cidadãos, entre os quais os aposentados, sempre os mais atingidos porque indefesos.

Voltando ao tal Relatório da autoria do FMI sobre a sustentabilidade do estado português, embora tratando-se de um documento de uma frieza caracteristica e marcadamente técnica, não tenho quaisquer dúvidas sobre a intencionalidade da sua vinda a público; a de lançar a sua discussão na sociedade no mais curto espaço de tempo possivel. 
Na realidade, face ao estimável PIB nacional, e tendo em conta as condições actuais do país e da Europa, em que se integra, as nossas finanças só terão sustentabilidade se conseguirem poupar mais quatro mil milhões de euros anuais. É isto que nos é dito e redito nos dias que correm. E as soluções são bem poucas.

Não quero - nem saberia - comentar sobre esta reafirmada realidade. Deixo-vos, isso sim, o resumo do tal Relatório da autoria da consultoria do FMI para vejam vocês mesmos aquilo que espera este país que, embora pequeno, tem gente única, sensível, bondosa, mas que sempre soube ser também estóica  valente e determinada, quando as circunstâncias o impõem.

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Percentagem de desempregados na população activa: cerca de 17% (muito perto de um milhão de cidadãos. Sabe-se que cada desempregado afecta, em média, mais duas pessoas do seu agregado familiar).

Nos jovens à espera do primeiro emprego: cerca de 40% de desempregados.
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Eugénio de Sá


Resumo do 
RELATÓRIO DO FMI PARA PORTUGAL 2013


FMI recomenda cortar salários, subsídios e funcionários públicos

Fundo sugere medidas ainda mais austeras para cortar 4 mil milhões de euros na despesa

2013-01-09

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomenda ao Governo português cortes mais profundos em várias áreas para alcançar os cortes de 4 mil milhões de euros na despesa, necessários a partir de 2014. Cortar salários na função pública, pensões, subsídios de desemprego e outros apoios sociais, bem como o número de funcionários públicos, são algumas das sugestões do organismo.
De acordo com o FMI, o corte dos salários dos funcionários públicos, incluindo os mais baixos, e das pensões (bem como o aumento da idade da reforma) são as duas vias centrais para a redução do peso do Estado.

O FMI refere «por exemplo», que um corte de salários entre 3 e 7% pouparia ao Estado entre 325 e 760 milhões de euros. Os cortes, diz, devem ser permanentes, porque o «prémio» por trabalhar na função pública em Portugal está, mesmo após as medidas de austeridade, «entre os mais altos da Europa».
Na função pública, o FMI sugere ainda cortes nos complementos e suplementos (uma redução de 20 a 30% pouparia até 300 milhões), o descongelamento dos incentivos ao mérito, e um aumento do horário semanal para 40 horas, acompanhado de novo corte na compensação de horas extraordinárias para 15%.

Para reduzir o número de funcionários, o ideal seriam as recisões amigáveis mas, como o Governo «não se pode dar ao luxo de pagar rescisões caras», essas devem ser adiadas para depois da crise. O FMI propõe alternativas para cortar 70 a 140 mil pessoas: segundo os seus cálculos, um corte de 10 a 20% no pessoal pouparia 794 a 2,7 mil milhões de euros. Uma das sugestões é que, após dois anos na mobilidade especial, os funcionários sejam despedidos.
Num relatório, divulgado esta quarta-feira pelo «Jornal de Negócios» mas com data de Dezembro, o Fundo sugere ainda o aumento das taxas moderadoras, e a dispensa de 50 mil professores. Medidas que «poderão aumentar a eficiência do Estado, reduzindo a sua dimensão de forma a suportar a saída da crise». O FMI diz que pode ser conseguida uma redução de 800 milhões já este ano.

Entre as recomendações conta-se a redução de funcionários e salários na Educação, Saúde e forças de segurança, e cortes no Estado Social, que considera iníquo, especialmente para os mais jovens.

O documento, que está já nas mãos do Governo português, considera que algumas classes profissionais como os polícias, militares, professores, médicos e juízes têm «demasiadas regalias» e «continuam a ser um grupo privilegiado na sociedade». Sobre os médicos, diz que têm salários excessivamente elevados (principalmente devido ao pagamento de horas extraordinárias) e dos magistrados, que beneficiam de um regime especial que aumenta as pensões dos juízes em linha com os salários.

A dispensa de 50 mil professores, que permitiria uma poupança até 710 milhões, e um aumento das propinas no ensino superior são outras opções apontadas no relatório.

No que toca ao sistema de protecção social, diz ser «demasiado dispendioso, injusto e especialmente para os mais jovens», defendendo que o «subsídio de desemprego continua demasiado longo e elevado».

Uma das recomendações passa por cortar o subsídio para o valor do subsídio social (419,22 euros) ao fim de 10 meses de desemprego. A medida pouparia até 600 milhões.

Para o FMI, o teto máximo de 1.045 euros para o subsídio desincentiva a procura de emprego. O valor, assim como a duração, tem de ser cortado.
Acabar com o subsídio de morte, racionalizar subsídios de paternidade e retirar abono de família a universitários são outras sugestões 

FMI
Soluções para o empobrecimento dos povos

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

DUETO:LA HORA DE LA PARTIDA - Eugénio de Sá & EL DESPERTAR DEL ALMA de María Sánches Férnandez

 La hora de la partida

Eugenio de Sá


Cuando llegue la hora de la partida
Estaré por cierto ya bien preparado
Pues siento frágil el soplo de esta vida
Al vivir en éste mundo perturbado

Poco me reconozco y ni veo
A quién le interesa leer mi desdicha
Ya dudo escribir lo que deseo
Por la limitada ayuda de la escrita.

En un sereno sumario he recordado
El tiempo en que el amor dictaba la ley
Y en ese sublime apoyo me he aquietado

Mas la añoranza es tanta ya ni sé
si estoy consciente o delirando
al pretender recordar el cuanto amé.


2007

 Sintra - Portugal




El Despertar del Alma

María Sánchez Fernández


Cuando llegue al final de mi camino
con el cuerpo marchito y lacerado
beberé de la paz su dulce vino
que embriagará mi cuerpo atribulado.

M arrullará el siencio, ¡don divino!
Las sombras me hablarán de un mundo alado.
Por siempre dormiré, -vence el destino-
un sueño eterno, sin color..., callado.

En esa noche lóbrega de mi alma
el cielo sonreirá y mil resplandores
anunciarán blancuras de alborada.

Mi despertar será de dulce calma.
Me envolverá la luz en sus albores
mostrándome mi senda..., mi jornada.



( De su libro "Pintar palabras" 1994 )

Úbeda - España 

Sintra - Portugal - Novembro 2012 

DOLOROSA INTIMIDADE - Eugénio de Sá

Dolorosa intimidade
Eugénio de Sá


Quem não se tenta perante o magnetismo
De um encontro com a sua solidão?
Quem pode resistir à tentação
De desvendar o seu próprio hermetismo?

Passamos toda a vida a distrair-nos
Tudo é pretexto pra não estarmos sós
Porque há receios, há pavores em nós
Do que possamos ser se o descobrirmos

Mas um dia quebramos os tabus;
Seja o que Deus quiser! - e decidimos
Despir as proteções e ficar nus

E aberto o nosso cerne então surgimos
Perante todas as dores da nossa cruz;
As que, mesmo escondidas, mais sentimos!

 Sintra - Portugal 2012

TAMBÉM PODE VER EM VÍDEO NA BELA ARTE DO AMIGO DORIVAL CAMPANELLE


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Selo do Amor (Dedicado à Avó Susana) ...um poema de Eugénio de Sá



O Selo do Amor


(Dedicado à Avó Susana)



Eugénio de Sá


Todos vêm na avó essa nascente
Que lhe brota no peito plo seu neto
Tal grande rio ama cada afluente
Tais os versos amantes seu soneto

Pois foi do seio dela que partiu
Um dos progenitores do novo infante
Que ela ama, e criou até que viu
Que a vida corre sempre pra diante

E o que leva seu sangue prolongou-se
No sangue de uma outra criatura
Almo divino que a vida lhe trouxe

E a avó sonha já toda a ventura
Para a criança, como se ela fosse
O selo do amor na sua assinatura


Sintra
Dezembro de 2012