sexta-feira, 19 de abril de 2013

VIS OPRÓBIOS de Eugénio de Sá

27/JAN/2015

No dia mundial da memória do Holocausto



Vis opróbrios
Eugénio de Sá


Flores ignoradas, tal as de Iroshima
C’os velhos escritos foram enterradas
Para nascerem rosas desfloradas
Pla raiva, nos altares da Palestina

Aço no peito, em vez do coração
Que as bombas lhes sejam aconchego
Quando esquecidos, se arrastem plo chão
Nos palcos do teatro do seu medo

Nesse oriente médio, vale d’incautos
Criam-se acéfalos bodes expiatórios
Que perpetuam velhos holocaustos

Que povo mereceu tão vis opróbrios
Que almas cansadas, que corpos exaustos
Ainda enfrentam tantos outros ódios?

domingo, 7 de abril de 2013

DUETO - LISBOA É MESMO ASSIM, de Eugénio de Sá & AMAR LISBOA, de Ana Kilesse


Lisboa é mesmo assim...
Eugénio de Sá

E o Tejo, a seus pés, testemunhou
Os amores que em Lisboa aconteceram
Uns libertos, floridos, que aprovou
Outros, feridos de morte, pereceram.

Mas ela vive, e permanece ainda
Cada dia mais nobre, mais amante
Desce as sete colinas sempre linda
E vai beijar oTejo, palpitante.

E pla noitinha vai ouvir o fado
prova do vinho novo nas tasquinhas
e satisfaz-se c'o um chouriço assado

Já madrugada alta ora às alminhas

Que dormir sem rezar inda é pecado
E Lisboa é assim, doce e traquinas





Amar Lisboa

Ana Kilesse

No meu ser senti pulsar toda a beleza
Até onde o olhar conseguia alcançar...
Amores eu via cheios de certezas
Debutando a cidade onde é fácil amar.

 Sem que mais atentasse na razão
Já sem questionamento que nada me dizia
Me deteitou essa mágica paixão
Nascida em cada canto que apaixonada via.

O fado fascinava o meu ser encantado
Buscando - além dos mares - amores profanos
Falava, em versos, de cada mal-amado.

Momentos de prazer, belos, insanos
Vivi inebriada pelo amor cantado
Lisboa é sempre igual; não conta os anos.






Edição e Revisão
Eugénio de Sá


EM PRECIOSAS GOTAS DE AMOR - Susana Custódio - Poetrix sublimado por Eugénio de Sá






Em Preciosas Gotas de Amor - Poetrix

 ( Susana Custódio )

Transformam-se estas lágrimas
Firmes que insistem em regar
As rosas que ontem me ofertaste.





Sintra – Portugal – Novembro 2010




 Sublimado por Eugénio de Sá

Transformam-se agora em extremos da miséria
Estas mãos que outrora te afagavam
Lágrimas nelas secaram, são matéria
Firmes não serão mais; tremem e esmagam,
Que a revolta é demais, é mágoa séria.
Insistem em ser úteis, todavia,
Em regar o canteiro do amor
As mãos que, juntas, na Cova d’Iria,
Rosas deixaram aos pés do andor
Que a saudade e a fé isso pedia.
Ontem, perdidas ambas, da ventura,
Me tornei um cruzado da descrença
Ofertaste o que querias: a rotura !

Sintra – Portugal – Abril 2013
 


ENTRELACE ---- INSPIRAÇÃO...Produção Poética: por Eugénio de Sá e Theca Angel




Inspiração
 

Eugénio de Sá /Theca Angel



Oh doce impulso, breve, mas querido
quando me invades, solta-se a alegria
e a pena então desliza, lesta, na extasia
do verso talvez fácil mas sempre sentido.

Abres minh´alma e fazes com que escorram
As palavras tão minhas que hesito em dizer
Mas tu as soltas, livres, e elas ecoam
N'harmonia que habita dentro de meu ser.
Saber-te a alma assim aberta e linda
Soltando ao vento a palavra hesitante
É um prazer maior, volúpia infinda
E um deleite assim nunca é bastante.

Mesmo hesitantes as palavras são sentidas
 E inda que a poesia, em versos, as contenha
Ao dar voz a essas rimas na pena paridas
Eu não quero frear o que a alma detenha.

Seria até pecado fechá-las na garganta
Que as escutem, felizes, os anjos do Senhor
Que a poesia é tão bela, é quase santa
É dom que vem do céu por Seu penhor

 Pois que se solte então a minha voz 
C'o o lirismo do verbo que me anima
Deixar inerte a pena é negação atroz
À glória que em versos faz doutrina!



ENTRELAÇANDO O **EU** COM FLORBELA ESPANCA, POR EUGÉNIO DE SÁ - Arte: AugustaBS -ES





Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…

E eu, que melhor sorte não a tenho
Sem outro rumo que encontrar na vida
Sou como tu, um homem sem saída
Carrego a dor e o padecer tamanho

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! …

Curioso, este sentir igual ao teu
Sempre esta bruma densa, traiçoeira
Como mortalha branda, derradeira
A agasalhar-me a noite do meu breu

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou também transparente a outros olhos
Sou o fado maldito e ignorado
Sou mais um seixo neste mar de escolhos

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Provavelmente sou sonho, sou crer
D’alguém que algum dia me sonhou
Mas que nunca na vida me irá ter



Arte e Formatação:
AugustaBS
 Edição:
Eugénio de Sá