sábado, 8 de junho de 2013

A VOZ DA CONSCIÊNCIA - Susana Custódio

A minha mente recria pedaços
Dos momentos mais gratificantes
Invade-me um certo cansaço
Dos que foram mais significantes

Já cai a noite vã e silente
A confusão gera-se no peito
Então a dor torna-se mais ardente
No pulsar do coração desfeito

Felizes, no imenso abraço
Diante da dúvida, deixei-te partir
Tendo sido eu a cortar esse laço

Lembro inda hoje esse dilema;
Se à bruma não tivesse dado espaço
Como seria a solução extrema?
Arte e Formatação:
AugustaBS
Sintra - Portugal - 2013 
 VEJA em vídeo com formatação do amigo Dorival Campanelle
 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Portugal – a vocação de ser pobre --- Crónica de Eugénio de Sá

Portugal – a vocação de ser pobre
 Crónica de Eugénio de Sá

Quem não se lembra da letra daquela canção que falava dos homens do mar e dizia; “ai Toino, Toino, tão desgraçado és/ai Toino, Toino, nem umas meias tens prós pés” ?
E foi ao som desta e doutras similares canções que o bom português foi sendo criado e posto na vida para a levar penando, procurando minorar os seus sofrimentos e carências com as expectativas do próximo jogo de futebol e as alegrias (ou os desgostos) do resultado final. Um fadinho nas noites de sábado lá no bairro,  amenizado  com umas ginjas ou bagaceiras, também lá ia ajudando a compensar o espaço deixado pela sardinha do jantar divida por dois ou por três, ou a postinha de bacalhau - outrora conhecido por "fiel amigo" - que parecia elástica de tanto ter de esticar para alimentar toda a família.
Depois de tantos anos de miséria, vieram outros, proclamados de "democráticos", que numa tal «revolução dos cravos» tudo prometeram, senão para os eles, os "demacratas", diziam aos crédulos ouvintes - pendentes das suas tiradas, e ainda perplexos - seria para os seus filhos, netos e gerações seguintes, gritavam dos palanques. Era canja; afirmavam então esses patéticos demagogos  (muitos ainda por cá andam, mas hoje bem mais abastados), que logo apareceram como salvadores desta nossa estigmatizada pátria. – Miseráveis, que a pátria há-de julgar um dia! - Mal grado quando já tiverem morrido todos.
Bem, e lá se foi vivendo e criando "hábitos europeus", embora sempre uns furos abaixo dessa bitola, a dos tais mais felizardos dessa europa a várias velocidades, acostumados na abastança, sempre alimentada pela velha exploração de outros povos, a quem compram, ao preço da chuva, mão-de-obra e matérias primas.
Foram mais de duas décadas de ilusão induzida, em que os portugueses gastaram mais do que se produziram, dizem-nos agora, como desculpa para os desvios criminosos e as barbaridades da gestão da "cousa pública" de que só mesmo eles, os tais autoproclamados "democratas" praticaram, em salutar alternância partidária, sempre contando com o votozito dos incautos que assim os foram perpetuando no poder, de boca aberta de espanto para tanta e tão falaciosa verborreia.
E agora no fundo, rendidos aos Fundos; o FMI e ao Fundo Monetário Europeu, que passaram a mandar na nossa casa, lá vamos contando os “buracos” que foram abrindo (por nós dizem-nos), e assindo, atónitos, à revelação da respectiva profundidade. Alguns, ainda o anunciam alegremente, como o faz um tal Sr. Jardim. Outros, as suas vitimas, em número sempre crescente, vão ficando desempregados e entregando ao banco carros e as casas, e abrigando-se, envergonhados, sob o tecto da velha mãe e/ou avó, que os volta a recolher e a sustentar com a parca reforma, também ela ameaçada pelas reduções impostas pelo governo, e entretanto desbaratada pelo custo de vida que cavalga já todas as lógicas. Outros ainda, sem mais recursos, vão acabanco na filas intermináveis da comida piedosamente distribuída pelas instituíções da igreja, e outras, movidas por idênticas e caridosas motivações. Sem abrigo e sem meios, são abandonados debaixo das pontes, e dormem ao relento embrulhados em cartões e jornais velhos, ou nalguns dormitórios improvisados, na maior das promiscuidades, desleixos, sujidades.
Entretanto, a juventude instruída, a que pode,  parte à descoberta dos vazios que vão por essa Europa fora, a que um dia foi pensada rica e poderosa por Konrad Adenauer, lembram-se? - E que hoje vê encurtarem-se-lhe os horizontes, pelas brumas que pairam, geradas e mantidas pela cobiça de uma casta que se esconde sob o manto diáfano da inominável hipocrisia.

Ah Portugal, tinhas-te esquecido que eras pobre mas é tua essa vocação,
desde sempre!

 Escrito e ditado em 2011, mal cheguei a Portugal

Eugénio de Sá
Reeditado
em
Junho de 20133

quarta-feira, 5 de junho de 2013

RIBATEJO e CAMPINO DE PORTUGAL, dois poema de Eugénio de Sá, em que o autor homenageia a linda provincia portuguesa

Ribatejo
(Eugénio de Sá)
Aos choupos e aos Salgueiros
que bordam de verde
as margens do meu Tejo,
pedirei murmúrios.

Às águas deste rio
que nos percorre
as terras e os sonhos
pedirei caprichos.

Aos poldros buliçosos
que correm em família
na vizinhança da água
pedirei galopes.

Aos toiros e aos novilhos
Que salpicam de negro
O verde da lezíria
Pedirei bravuras.

Ás orgulhosas vinhas
que marcam a tons de ouro
as encostas dos Outonos
pedirei generosidades.

Aos frondosos pinheiros
que nos guardam dos ventos
e sombreiam os campos
pedirei que permaneçam vivos.

Aos homens desta terra abençoada
pedirei que saibam merecê-la!





Campino de Portugal
(Eugénio de Sá)
Cheguei esporas ao cavalo
Ganhando a verde campina
C’o chicote dei um estalo
Fendendo a poeira fina

Ao longe o gado a pastar
Ser campino é minha sina
Tenho um alazão pr’amar
Que m’envolve em sua crina

Estou chegando ao torricado
Há cheiros quentes no ar
Sempre me ponho animado
Na hora de mastigar

E junto-me aos companheiros
À sombrinha de um carvalho
Que um homem só é inteiro
Se tem fome no trabalho

Já cansei do bacalhau
Que n’aragem inda cheira
Monto c’o ajuda de um pau
Que já foi pau de bandeira

Deslumbrado, olho a manada
Com orgulho e nostalgia
E uma vaca tresmalhada
Sacode-me  a bonomia

Lá volto eu a galopar
Solto rédeas ao meu fado
Que este mister é juntar
Na campina, todo o gado

Depois vem o arreból
Vestido de avermelhado
Que lindo é ver este sol
No horizonte deitado

De pronto a noitinha vem
E com ela o meu descanso
Cansaço, quem o não tem?
Vai um café e um bagaço!

Vou dormir sob as estrelas
Ouvindo os grilos cantar
Memórias,  só quero tê-las
Se c’o as melhores for sonhar.

E já quase a adormecer
Elevo a Deus um louvor;
Que bom foi aqui nascer
Obrigado, meu Senhor! 

Formatação:
AugustaBS
SINTRA – PORTUGAL
Junho 2013

"Variações sobre uma chama", de Eugénio de Sá


Variações sobre uma chama
Eugénio de Sá
Chama de paz, bamboleando ao vento
Erguida em círio branco aveludado
Consagração da glória de um soldado
que a pátria lhe acendeu por valimento.

Chama d’amor que um jovem alumia
Que à mãe foi arrancado plo destino
Destino triste o que colhe um menino
E os melhores anos lhos asfixia.


Chama saudade quando é acendida
Por fervorosas mãos apaixonadas
Que agora restam sós, abandonadas,
Ao finar-se um amor de toda a vida.

Chama piedosa a que é mantida viva
Pla desgraça de qualquer irmão
Quando é da nossa alma anfitrião
Aquele cuja memória nos cativa.


Chama ideal, brotou na Hélade antiga
A tocha era do Olímpo o seu tributo
Hoje ela é valoroso contributo
Pra sua luz manter a gente unida.


Chama inclemente, que tudo consome
As vidas e os bens da humanidade
A que arde em torvelinhos de maldade
Mandados plo demo, que não dorme.

Sintra, Portugal
Maio de 2013

UM AMOR DESPREZADO, um soneto (inédito) de Eugénio de Sá

Um amor desprezado
Eugénio de Sá

Quando no peito o coração se entrega
Aos créditos que um outro nos merece
Da nossa vida então tudo se esquece
E um conjunto de credos se congrega

Mas quem nos encantou depois nos trai
C’o um desamor jamais imaginado
Que muda por completo o bem sonhado
E nos em nós tudo se parte e se contrai

Que a dor é muita e o desprezo feroz
Faz-nos sentir um nada, uma migalha
Sem vontade, sem fé, não somos nós!

Mas longe de pensarmos no canalha
Com ganas de o esmagarmos como noz
Inda pedimos que Jesus lhe valha

Sintra - Portugal
Junho de 2013

Veja o vídeo:
 UM AMOR DESPREZADO, um soneto (inédito) de Eugénio de Sá

  

terça-feira, 4 de junho de 2013

JESUS um soneto dedicado por Nelson Carvalho ao poeta Eugénio de Sá


JESUS
Nelson Carvalho
( Soneto dedicado ao ilustre poeta Eugénio de Sá )

No tema sagrado sem a letra  = I =

 “DEUS NÃO LHE DÁ MAIS DO QUE VOCÊ POSSA CARREGAR.”

“POR ISSO É QUE FALO POR PARÁBOLAS
PORQUE VENDO NÃO VÊEM, E PERCEBENDO,
NÃO OUVEM E NEM ENTENDEM.”

(Frases de Jesus)

Entre golpes de amargura e o clamor
Do populacho repugnante, revoltado
Vê-se a face amarelada de tremor
Do doloroso JESUS já ensanguentado!

Que a horda cruel pragueja com rancor,
Pouco provoca ao sereno condenado
Entre tal gente ver JESUS na cruz pregado
Era a cena desejada vê-lo no estertor!

E qual descontrolado abstracto amante,
Que mudamente e enervante se alterna,
Nos nebulosos êxtases do sagrado amor…

De JESUS da face no supremo instante
Um pensamento extremoso se externa,
Perdão… murmura, perdoa-lhe, SENHOR!

Portugal - 2013





VELAS DESTA VIDA - EUGÉNIO DE SÁ

( quintilhas )
Velas desta vida


Eugénio de Sá



Velas ao vento, pandas, enfunadas

Cindindo as águas no sulco de um bote

Velas acesas pela madrugada

Lembram que a vida sofreu um derrote

Mostram que a morte é portal do nada!



Vela vigília, se o sono não vem

Porque a dor nos confunde, nos esmaga

Inútil espera quando se ama alguém

Alguém que considera sermos nada

E nada é o vazio que a noite tem!



Vela-se um rosto, vela-se um sorriso

Se a castidade impõe algum recato

Vela-se a dor sempre que é preciso

Adiarmos a vida por um trato

Se a consciência nos impõe juízo! 
Sintra - Portugal - 2013
Formatação:
AugustaBS

Vídeo  " Velas desta vida " com a excelente formatação do amigo Dorival Campanelle