quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

PARA LÁ DAQUELA PORTA um poema (sextilhas) de Eugénio de Sá

Para lá daquela porta

Eugénio de Sá


Aqui sentado à lareira c’o vento a soprar lá fora
Abre-se o peito à fogueira e o coração então chora
É o tempo das memórias partilharem esta ardência
É o tempo da saudade vir misturar-se no lume
Deste cigarro que arde e veio acender-me o nume
E o fumo perpassa a porta em busca da tua ausência.

Cerro os olhos e relembro a vida que partilhámos
Tantos anos a teu lado e aquilo porque passámos
Índa ontem, meu amor, lá estive aonde tu estás;
Passeei pelo teu jardim e pensei muito em você
Perscrutei entre os ciprestes esperando não sei o quê
E voltei já à noitinha, mas sempre olhando pra trás.

Ah este vento que brama lembra queixumes doídos
Na solidão desta casa quase que ouço os meus gemidos
E as pancadas do relógio são a minha companhia.
Sei que no mundo em que estás, nessa outra dimensão
Do tanto que tu me queres sentes que este coração
Só espera pla bendição de ao teu se juntar um dia.







Sintra 21 de Janeiro de 2015

2 comentários:

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Um poema que me tocou muito...triste mas muito belo.
Um beijinho

Fernando Alberto Salinas Couto disse...

Em aplausos, rendo-me ao encanto destas sextilhas, caro mestre Eugénio. Parabéns, pelo lindo poema. Abraços!