segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

AMOR TARDIO (Poema em forma de Poetrix) de Susana Custódio


 POETRIX

 AMOR TARDIO




Abordaste no meu Outono
Onde não há mais espaço
Volta na próxima existência



 Susana Custódio

Sintra – Fevereiro 2015


REGRAS PARA ESCREVER UM POETRIX

POETRIX É um terceto contemporâneo de temática livre, com título, ritmo e um máximo de trinta sílabas, possuindo figuras de linguagem, de pensamento, tropos ou teor satírico. CARACTERÍSTICAS DO POETRIX
 O POETRIX é uma linguagem poética em forma de tercetos, caracterizando-se por: - possuir apenas uma estrofe de três versos, com um máximo de 30 sílabas; - no poetrix o título é obrigatório, podendo complementar o texto; - não existir rigor quanto à métrica ou rimas; - metáforas e outras figuras de linguagem, assim como neologismos, são uma constante no poetrix; - geralmente há uma interacção autor/leitor provocada por mensagens subliminares; - ser minimalista, ou seja, procurar transmitir a mais completa mensagem em um menos número de palavras; - passado, presente e futuro podem ser utilizados sem distinção; - o autor, as personagens e o fato observado podem interagir, mesmo criando condições suprarreais, cômicas ou ilógicas (non sense).

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A MENTIRA PERSISTENTE (Poema em forma de Poetrix) de Susana Custódio

POETRIX

A MENTIRA PERSISTENTE



Chega todos os dias
Muito bem acondicionada
Desenlacei-a, ao todo eram sete véus



Susana Custódio


Sintra – Fevereiro 2015



REGRAS PARA ESCREVER UM POETRIX

POETRIX É um terceto contemporâneo de temática livre, com título, ritmo e um máximo de trinta sílabas, possuindo figuras de linguagem, de pensamento, tropos ou teor satírico. CARACTERÍSTICAS DO POETRIX
 O POETRIX é uma linguagem poética em forma de tercetos, caracterizando-se por: - possuir apenas uma estrofe de três versos, com um máximo de 30 sílabas; - no poetrix o título é obrigatório, podendo complementar o texto; - não existir rigor quanto à métrica ou rimas; - metáforas e outras figuras de linguagem, assim como neologismos, são uma constante no poetrix; - geralmente há uma interacção autor/leitor provocada por mensagens subliminares; - ser minimalista, ou seja, procurar transmitir a mais completa mensagem em um menos número de palavras; - passado, presente e futuro podem ser utilizados sem distinção; - o autor, as personagens e o fato observado podem interagir, mesmo criando condições suprarreais, cômicas ou ilógicas (non sense).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

PARA LÁ DAQUELA PORTA um poema (sextilhas) de Eugénio de Sá

Para lá daquela porta

Eugénio de Sá


Aqui sentado à lareira c’o vento a soprar lá fora
Abre-se o peito à fogueira e o coração então chora
É o tempo das memórias partilharem esta ardência
É o tempo da saudade vir misturar-se no lume
Deste cigarro que arde e veio acender-me o nume
E o fumo perpassa a porta em busca da tua ausência.

Cerro os olhos e relembro a vida que partilhámos
Tantos anos a teu lado e aquilo porque passámos
Índa ontem, meu amor, lá estive aonde tu estás;
Passeei pelo teu jardim e pensei muito em você
Perscrutei entre os ciprestes esperando não sei o quê
E voltei já à noitinha, mas sempre olhando pra trás.

Ah este vento que brama lembra queixumes doídos
Na solidão desta casa quase que ouço os meus gemidos
E as pancadas do relógio são a minha companhia.
Sei que no mundo em que estás, nessa outra dimensão
Do tanto que tu me queres sentes que este coração
Só espera pla bendição de ao teu se juntar um dia.







Sintra 21 de Janeiro de 2015

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

OS SEGREDOS DE AMAR um poema de Eugénio de Sá

Os segredos de amar

Eugénio de Sá


Quem não experimentou, que o ouse ainda;
Trocando hálitos, sorvendo e exalando
Os alentos do amor, cousa mais linda
E deixe-se ficar assim, amando.

Que amar é arte e é exaltação;
Mexe com quantas fibras há na gente
Dispara em acelerado o coração
Trememos c’o desejo assim fremente.

No amar há partilhas, conivências
Há ânsias de render e ser rendido
Há torvelinhos d’alma, impaciências.

E no sossego dos prazeres vividos
Os olhares longos, as doces indolências
São esplendores nos nossos sentidos.

arte by
SimoneCZ 
Sintra, 13 Janeiro 2015

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

DUETO - MIL E UM POEMAS, de Susana Custódio & O AMOR QUE O TEMPO SUSPENDEU, de Eugénio de Sá



MIL E UM POEMAS

(Susana Custódio)


Com esta min’alma plena de inspiração
Mil e um poemas ternos, cheios de amor
Pra ti escrevi com a mais doce emoção
Palavras sentidas com um extremo ardor

Descrever o amor era a minha intenção
Em mil e um poemas com cheiros de flôr
Eu só queria conquistar o teu coração
E arrancar p’ra sempre esta teimosa dor

Vem depressa, eu te peço que venhas
Com teu carinho brindar o meu jardim
Já que o enxergas do cimo das montanhas
Já que o vês verdejante, mesmo assim

Vem, e eu confessarei o meu amor por ti
Ouvirás a minha terna voz até adormecer
Murmurada em meus lábios, como um colibri
Solfejada num hino que acabei de escrever     
        
 

O AMOR QUE O TEMPO SUSPENDEU

(Eugénio de Sá)


Irei pairando sobre o mar imenso
Tendo por companhia uma veloz gaivota
Ouvi o teu poema e esse amor intenso
Ajudou-me a traçar tão longa rota

Bastou um d’entre os mil anunciados,
Um poema somente, e nada mais
Pra que o meu coração fosse guiado
Na direcção do teu e dos teus ais

Pedirei a um anjo as suas grandes asas
E já estarei no ar daqui a pouco
Deixarei para trás gentes e casas
Cruzando os ares voando como um louco

Depois eu te ouvirei em longa confissão
Enquanto tu, amor, quiseres que eu
Conheça a tua terna submissão
A este amor que o tempo suspendeu

Sintra - Portugal - 2012

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

ESCREVER OU NÃO ESCREVER UM POEMA DE NATAL de Susana Custódio




ESCREVER OU NÃO ESCREVER UM POEMA DE NATAL

O que poderá escrever-se num poema de Natal
Que outros poetas já não tenham escrito?
São sempre as mesmas palavras
Que jorram no mesmo caudal
Papel brilhante, laços coloridos
Ruas enfeitadas, luzes multicores que piscam
Musicas de grandes compositores
Que aos meus ouvidos soam como um grito
Mas afinal o que poderá escrever-se num poema de Natal?
Que outros poetas já não tenham escrito?
Os ricos têm mesa farta, nada lá falta
Os pobres têm o que podem
E outros nem têm um abrigo,
Também existem os que estão doentes
Lembrando Natais de tempos já idos
Mas afinal o que poderá escrever-se de novo num poema de Natal?
Proponho então celebrar a data de nascimento
Desse Menino que afinal só queria ensinar-nos
O verbo Amar em todos os seus tempos
E não só agora neste dia mas em todos os dias
Por isso vos proponho que na mesa
Onde todos nos reunimos
Comemos, bebemos e rimos
Nos lembremos d ’Ele
Que esta festa é em sua memória
Para isso vos convido a colocarmos
Nessa mesa uma cadeira vazia
E se alguém nessa noite tocar à nossa porta
A convidemos a entrar e à mesa se sentar
Nunca saberemos se por acaso
Jesus nos virá visitar
E connosco quererá o seu aniversário celebrar.


Susana Custódio

Sintra - Portugal - Dezembro de 2014