domingo, 2 de março de 2014

CARNEVALE um poema de Eugénio de Sá


Carnevale

Eugénio de Sá


Tem na história explicações distantes
O Carnaval como hoje o conhecemos
E do pouco que lemos e sabemos
Quase voltou ao tudo que era antes

Lembremos o Egito há seis mil anos
Quando Isis inspirou toda essa festa
E nas margens do Nilo se cumpria a gesta
Em honra à fértil terra dos profanos

Depois foram os gregos a criar
Em culto a Dionísius rituais
Próprios de um deus, gerados por mortais
Amantes de beber e de folgar

Já Roma ao deus Saturno dedicou
As festas mais ousadas e carnais
Promovendo na urbe as saturnais
E em bacanais e vinho se afogou

De “carrum navalis” era então chamado
O cortejo que abria a temporada
Pois tinham proas, rés e amurada
Os carros do desfile engalanado


E foi vez de pôr cobro à extravagância
Com usos d’outra gente mais austera
E o carnaval passou a ser quimera
Quando os cristãos esfriaram essa ânsia

Já século quinze andado o Papa Paulo
Decidiu abrandar a interdição
E permitir que todo o bom cristão
Dançasse mascarado a seu regalo

Mas é próprio do homem e da história
Que se alarguem limites ao início
E assim de presto voltou tudo ao princípio
Esquecidas restrições de má memória

E enquanto a Veneza evidencia
Ainda algum pudor e continência
Noutros locais do mundo em opulência
Solta-se a carne viva na folia

Hoje os ecos do samba são ouvidos
Por todo este planeta admirado
E o Carnaval aos pés do Corcovado
Deixa a perder de vista os mais antigos




Nota do autor:

Por ordem cronológica, a história do Carnaval radica no Egito, na Grécia e Roma antigas, e nas cidades marcadas pelo Renascimento Europeu,  particularmente Veneza.

O Carnaval encontra no Rio de Janeiro o seu quarto Centro de excelência resgatando o espírito  de Baco e Dionísus.

Ao contar uma história que completa seu sexto milênio e que acompanha a própria história da humanidade,

a história do carnaval, considera os seus marcos de referência,  divididos em quatro  períodos: o Originário(4.000 anos  a.C. ao século VII a.C.), o Pagão (do século VII a.C. ao século VI d.C.), o Cristão ( do século VI ao século XVIII ) e o Contemporâneo (do século XVIII  à actualidade).



Sintra - Portugal - Março 2014

12 comentários:

Anônimo disse...

Eugénio,revisão total que fizeste sobre o carnaval.Antigamente eu gostava muito, hoje em dia já não gosto mais.Gostei de saber a origem e a evolução do carnaval.Parabéns poeta.Bjs.Malu

mário matta e silva disse...

Um poema de muita qualidade e um desenrolar e rigor histórico de muito valor a merecer o melhor aplauso. Um abraço Mário Matta e Silva

Unknown disse...

EU...GÉNIO. É SEMPRE UMA AGRADÁVEL SURPRESA LER A TUA POESIA. QUE RIGOR HISTÓRICO AMIGO, DÁ GOSTO LER. PARABÉNS POETA DE "MÃO CHEIA" CONTINUO A DIZER...ÉS GRANDE! COM O CARINHO DA MARGARIDA E UM ABRAÇO AMIGO DO HUMBERTO SOARES SANTA

Anônimo disse...

Poeta Eugénio de Sá.

Meus mais sinceros aplausos pelo trabalho consistente sobre o Carnaval e suas origens,
Abraços
Vera Mussi

Maria Fonseca disse...

Parabéns Poeta pelo lindo poema sobre o Carnaval e sua história.
Um abraço amigo, Maria da Fonseca

Virgínia Branco disse...

Obrigada pelo Poema e pela linda lição de história sobre a origem do Carnaval.
"CARNEVALE", VALE MESMO PELO SEU CONTEÚDO E PELA MENSAGEM POÉTICA E ERUDITA DO POETA. Virgínia Branco

Unknown disse...

Belíssima homenagem do grande poeta Eugénio de Sá ao nosso carnaval no Brasil. Abraços.

Unknown disse...

Belíssima homenagem de nosso grande poeta Eugénio de Sá, ao carnaval do Brasil Abraços.
Maria Luiza Bonini - São Paulo / Brasil

Carmen Silza disse...

Hermoso homenaje al poeta, gracias por compartir.
Un abrazo.

Ulli disse...

Caro poeta Eugênio de Sá, gostei do passeio no tempo, desde o antigo Egito, aos dias atuais. Como brasileira, particularmente, sempre me envergonhei do que se faz no carnaval e em nome dele. Acho que o povo brasileiro precisa acordar pra realidade. A cada ano a degradação é maior. Infelizmente existem pessoas que não intendem o seu poema, ou então não o leram de verdade. Seu relato histórico mostra o paganismo, a festa da carne, do vinho, dos excessos. Aqui não é diferente, mulheres e homens, com pinturas que disfarçam quase nada seus corpos, desfilam nus ,fazendo apologia ao despudor. O mundo se farta de vender jornais e revistas com as fotos das loucuras que se praticam no carnaval brasileiro, mas o povo acha bonito. Fazer o quê? Parabéns pelo texto instrutivo, e que as mentes se abram para a realidade que você quis mostrar. Um grande abraço,

Zélia Chamusca disse...

Parabéns Grande Poeta Eugénio de Sá pelo belíssimo poema, efeméride - CARNEVALE!

ZCH

Mayte Dalianegra disse...

Toda la historia del carnaval en los sabios versos de Eugenio. Muy hermoso poema y muy explicativo. Mis felicitaciones! Comparto también. Besos y muy feliz fin de semana para ambos, Eugenio y Susana.