sábado, 8 de março de 2014

CATARINA EUFÉMIA - 60 anos depois do seu bárbaro assassinato... e o Poema ALENTEJO, de Eugénio de Sá - inclui links para Canções de Zeca Afonso

Catarina Eufémia

Este ano cumprem -se 60 anos

sobre o seu bárbaro assassinato.
Os portugueses não a esqueceram!




Catarina Eufémia


a mártir ceifeira alentejana
( 13 de Fevereiro de 1928 — 19 de Maio de 1954)


   Foi a 19 de Maio de 1954,  está prestes a fazer 60 anos, que Catarina Eufémia foi assassinada em terras alentejanas de Baleizão pelas forças do regime fascista.


  Lutava por pão e por trabalho e, rapidamente, se tornou um símbolo da resistência do proletariado rural alentejano à repressão e à exploração dos senhores da terra, suportados pela ditadura e, ao mesmo tempo, um símbolo do combate pela liberdade e da emancipação da mulher portuguesa.

  Nos tempos que correm, o exemplo de Catarina Eufémia continua a inspirar homens e mulheres que lutam, ainda hoje, pelo fim da exploração, por uma sociedade mais justa e mais fraterna.

  Estão a ouvir Zeca Afonso, o saudoso poeta-cantor da revolução de Abril, na sua imortal composição em memória da mártir Catarina.


Cantar Alentejano:








Zeca Afonso é também o autor de  

Grândola, Vila Morena

a famosa canção transmitida pela rádio na noite de 24 de Abril de 1974, que desencadeou a Revolução dos Cravos.

Aqui a têm:



40 ANOS DEPOIS

os cravos jazem agora pelo chão...



...esquecidos, abandonados,

tal como a esperança de um povo !




 Em homenagem à memória
de Catarina Eufémia 
relembro o meu poema:



Alentejo 

(Eugénio de Sá)


Espigas desta terra
Vocação de pão
Searas de vento
Ventos de paixão
Juntam-te fermento
Do meu coração

Espigas desta terra
Celeiros de amor
És calma de estio
Amas o calor
Mãos em desvario
Ceifadas na dor

Espigas desta terra
Rude gente a tua
Que sofre e não cai
Nas pedras da rua
Mas em ti se esvai
Ruas d'amargura

Espigas desta terra
Mulheres te serviram
Feitas fundas mágoas
Não sei se elas riram
Seus olhos mares d’águas
Flores que não floriram



Nota do autor:

Alentejo, a maior província de Portugal.
Foi em tempos o seu orgulhoso celeiro,
mas o seu pão era feito de sangue,
 suor e lágrimas.

Agora é umas das regiões europeias
mais despovoadas,
onde vagueiam, sem soluções,
velhos e animais,
perdidos nas profundezas do esquecimento.
         
Alemães e ingleses
vão-lhe comprando as entranhas,
que mais ninguém quer.

Sei o que foi aquilo;
o inferno ao calor do sul,
a fome ao frio da indiferença.
Hoje, é o abandono
ao estigma do despovoamento!


Aos que, porventura, não me conhecem, saibam que
que, desde sempre, me mantenho distante de qual-quer força ou corrente político-partidária, nem sou por elas influenciado, só me movendo o sentido de justiça e de um humanismo solidário, de que muito me orgulho.
E.Sá


Esta é uma edição de:



Sintra, Portugal

8 de Março de 2014



2 comentários:

Robert Thomaz disse...

Prezada Susana Custódio, parabenizo-a por seu blog e por seus posts (artigos). Sou escritor e blogueiro. Vim a cá visitar seu "cantinho" em navegação do G+. Sou seu seguidor e desejo-lhe felicidades. Se quiser conhecer meu canto visite: http://www.nossoslivrosfree.com.br/
Robert Thomaz

Mayte Dalianegra disse...

Hermoso homenaje el que estos versos rinden a esta mujer asesinada por el régimen salazarista. ¡Hay tantos mártires por la libertad! Hermoso que alguien les componga poemas, para no olvidarles.

Besos y feliz semana, Susana.